Hiltor Mombach

CARTA ABERTA AOS MEUS AMIGOS GREMISTAS

CARTA ABERTA AOS MEUS AMIGOS GREMISTAS

Caros amigos gremistas!

Escrevo esta carta para primeiramente parabenizá-los pela vitória de vosso time sobre o meu glorioso Internacional neste dia. Foi uma vitória e tanto, hein? Parabéns! A única coisa que realmente não compreendi até agora é o motivo da ausência da cor azul naquela camisa listrada branca e preta que enfrentou meu glorioso Internacional. Seria novo uniforme? Bom, penso que deve ter sido porque o azul não teve a qualificação necessária para fazer parte deste tão importante espetáculo. Sei lá!

Em segundo lugar, associo-me à vossa alegria em tão importante data, pois sei exatamente o que passa em vosso coração em tal ocasião. Sou nascido no [longínquo ano de 1980. Acompanhei, em minha adolescência e juventude, aos mais diversos campeonatos, na década de 1990. Alegrei-me com a conquista da Copa do Brasil, em 1992 e com os Campeonatos Gaúchos de 91, 92, 94 e 97. Mas devo confessar-vos que uma de minhas maiores alegrias foi, sem dúvida, o dia em que vosso glorioso time perdeu a final do campeonato mundial, em 1995. Lembro que aquele dia foi tão diferencial em minha vida que me tornei consumidor fiel dos produtos “Ajax”.

Há, sem dúvida, paralelos interessantes entre aquele dia, 28 de novembro de 1995, e hoje, 14 de dezembro de 2010. O primeiro paralelo é que houve um perdedor. Naquela ocasião, vosso time; hoje, o glorioso Internacional. A diferença é que vosso time caiu nos pênaltis, enquanto meu glorioso Internacional foi derrotado no tempo normal de jogo. Minha modesta opinião é de que o glorioso Internacional caiu da forma mais honrosa que se poderia conceber, isto é, com bola rolando. Perder com bola parada é a mais completa desonra e incompetência. Aos que não concordam com minha teoria, peço que façam o seguinte teste: chutem uma bola parada e depois chutem uma bola em movimento. Agora respondam à seguinte pergunta [cretina: qual é mais fácil?

Mas o outro paralelo que este dia nos reserva em comum àquele (28/11/1995) é o fato de haver neles gaúchos felizes. Lembro daquele dia de novembro de 1995 como um dia de muita felicidade. Meu glorioso Internacional não participava de competições importantes, contentava-se em conquistar Campeonato Gaúcho e, pior, nosso contentamento era torcer para times da Colômbia, Argentina, Paraguai, etc. Quando esses times não conseguiam vencer o glorioso rival, ficávamos cabisbaixos. Até que surge um time holandês (Holanda que nunca ganhou nada!) para nos trazer uma dose encachaçada de alegria!

Hoje é assim também. Quando um time não disputa competições importantes, contenta-se em conquista Campeonato Gaúcho e torce desesperadamente para times sul-americanos que não conseguem vencer, há frustração. Até que surge um time africano (sim, africano, que também nunca ganhou nada!) para trazer um pouco de alegria para aquela nação frustrada. Sim, porque é muito frustrante para aquela nação ver o glorioso Internacional nesta década de 2000 empilhar títulos e ser campeão de tudo, igualando e ultrapassando o arqui-rival. Há quem comemore títulos internacionais, e há quem comemore vitórias em batalhas aflitivas, de segunda linhagem.

Enfim, caros amigos gremistas, escrevo estas linhas para expressar minha alegria com vossa alegria. Por poder encontrá-los em tão nobre competição como a Taça Libertadores de 2011, cuja participação lhes entregamos, como dádiva, dias atrás, após a vitória sobre o Botafogo. Expresso minha alegria, parabenizando-os também neste dia por tão importante conquista no jogo de hoje, pois não seria de minha estirpe discutir convosco, uma vez que aprendi de meu pai que “freguês sempre tem razão”. E, nobres fregueses, não apenas vós, e sim a América toda é nossa cliente.
Grande abraço, de vosso patrão,
Júlio Jandt, colorado.