CARTA FICTÍCIA DE FOSSATI PARA O ÊNDERSON
"Meu domingo foi diferente. Ataquei de churrasco e vinho ao som do uruguaio Carlos Gardel. Os argentinos dizem que Gardel nasceu na França. Nasceu em Tacuarembó. Ouvi repetidamente Adiós Pampa Mia: ’’Adios, Pampa mia/ me voy, me voy a tierras extrañas/ Adios, caminos que he recorrido/ rios, montes y quebradas/ Tapera donde he nacido...’’.
Depois, uma sesta. Embalada a tangaços. Dolce vita! Não há ócio que se compare ao de um desempregado ganhando R$ 180 mil por mês. Como eu saí do Inter, mas o Inter ainda não saiu de mim até eu receber o último centavo, ali pelas quatro liguei a TV para avaliar minha obra.
Ao final do primeiro tempo, daquele 0 a 0 enfadonho, terrivelmente chato, daquele miserê futebolístico, concluí: ali estava o meu Inter, minha negação de obra-prima, o avesso de uma obra-prima, só que no 4-4-2. Ri dos meus detratores. Pensei naquele cara do mas, que diz que tem sempre um mas em tudo, aquele que rotulou o 3-5-2 de chama-derrota, no que ele iria escrever com o fracasso do 4-4-2.
Mas..., e tem sempre um mas em tudo, aos 12 minutos do segundo tempo, o Inter havia aplainado o Atlético Paranaense, que parecia ter sido patrolado por uma Caterpillar. Não era o meu Inter. Decididamente, não era o meu Inter. E pode melhorar! Com a entrada de Tinga, o time ganhará um jogador que faz dupla função, a de marcador e apoiador. Com Tinga em campo, os dois primeiros volantes não ficarão sobrecarregados.
Depois do 4 a 1, de ver o 4-4-2 aprovar no segundo tempo, só me resta reconhecer meus equívocos. Encerro dizendo que, neste momento, ouço um tango conhecido por todos: ’’Adiós muchachos/ Ya me voy y me resigno/ Contra el destino nadie la talla/ Se terminaron para mí todas las farras/ Aaaaaaayyy/ Mi cuerpo enfermo no resiste más...’’"
