Hiltor Mombach

Carvalho revela como venceu aposta de 2007 com Fábio Koff

Carvalho revela como venceu aposta de 2007 com Fábio Koff



Fevereiro de 2007. Eu, o Dr. Fábio Koff, e o assessor financeiro do Clube dos 13, Paulo Samuel, fizemos longa viagem pela Ásia, incluindo o Oriente Médio, com o objetivo de comercializar direitos de televisão do Campeonato Brasileiro. Na ocasião, conheci o Sr. Mohammed Thani Al Romaithi, presidente do Al-Jazeera - clube onde muito depois Abel Braga seria o treinador e Rafael Sobis um dos destaques. Ele me foi apresentado por uma grande colorado residente aqui em Abu Dhabi, o engenheiro Alessandro Cesar Dias Gomes, que, inclusive, trabalhou no primeiro ano da minha gestão, em 2002, como vice-presidente de patrimônio.

Moahammed é um presidente muito atuante e extremamente atualizado, exímio cohecedor do futebol internacional, em especial da América do Sul. Ele tem em sua agenda nomes de jogadores que nem nós no Brasil temos conhecimento.

Desde logo, me identifiquei com o presidente do Al-Jazeera exatamente por esta sua característica, pois também gosto de uma agenda repleta de informações com atletas do mundo todo. Assim, logo travamos relação bem próxima. Naquela ocasião, em almoço no imponente hotel Emirates Palace, sete estrelas, oferecido a mim e aos demais integrantes da delegação do Clube dos 13, Mohammed me afiançou que o seu Emirado, Abu Dhabi, estava negociando com a FIFA para sediar a Copa do Mundo de Clubes a partir de 2009. E que a possibilidade de confirmação deste acerto era quase plena.

Brincando, e apenas como blague, afiancei a ele, na presença de Koff , que se isso ocorresse, brevemente eu estaria de volta a Abu Dhabi para torcer pelo meu clube Sport Club Internacional, que sagrara-se campeão do mundo em 2006 e certamente estaria todo ano disputando em condições de repetir o feito. Tudo acabou virando uma disputa Gre-Nal, pois Koff cortou-me a palavra anunciado que aqui estaria o seu clube, o Grêmio. Passados quase quatro anos daquela data, a premonição, que na verdade não era procedente, mas, sim, uma brincadeira mais para mexer com meu amigo gremista Koff, acabou se confirmando. E aqui estamos, vivendo o clima de um novo Mundial, com toda ansiedade e tensão comum a campeonato tão majestoso como este. Na verdade, foi uma premonição por encomenda.

A ansiedade da decisão

Enquanto dirigente, sempre me envolvo completamente com as questões da competição. Estou sempre presente nos treinos. Não abro mão de assistir às palestras, faço reuniões com atletas e comissão técnica, às vezes até em demasia. Acho que, para se ter sucesso em qualquer atividade, temos que cuidar de tudo: concentração, minúcias, foco, enfim, as mínimas coisas são importantes e significam o diferencial.

No momento atual, às vésperas de uma semifinal de Mundial FIFA, tudo isso está novamente acontecendo. E, por isso, os momentos de ansiedade aumentam à medida que o tempo passa, já que a responsabilidade é muito grande por representar o Brasil e a América do Sul no maior campeonato de clubes do mundo. Além, é claro, de representar a torcida do grande Sport Club Internacional. Esse é o espírito dos que aqui estão. Não sinto vontade de sair com os amigos, de visitar a cidade, de jantar em outro restaurante que não seja o refeitório dos atletas. De ter outro assunto que não seja o jogo com o Mazembe ou o Mundial FIFA.

Meus filhos que estão comigo, e que me conhecem, nem forçam convites para outras atividades que não às inerentes de quem está dentro de um contexto de delegação, plenamente concentrado e com o pensamento apenas na competição. Tornei-me um chato que as pessoas compreendem e muitas vezes até brincam pela demasia de algumas atitudes.

Como as coisas mudaram


É num momento como esse, em que o Inter se prepara para disputar seu segundo Mundial em quatro anos na plaga distante, em Abu Dhabi, que me corre o pensamento para o ano de 2002, quando começou a gestão do Inter Grande no Sport Club Internacional. Nesse filme, lembro do nosso clube, que tinha cerca de 8 mil sócios, nem todos pagantes, 70 consulados no interior, faturava em torno de R$ 20 milhões por ano, havia conquistado seu último título regional em 97, tivera como última participação em campeonato internacional no ano de 93, não vencia Gre-Nais há dois anos e meio. Aliás, desde de 98 não chegava em semifinal de nenhum campeonato. Hoje, nove anos depois, nossa contabilidade em todas as áreas é inteiramente diferente: agora temos 107 mil sócios pagantes, mais de 500 consulados espalhados pelo mundo e nosso faturamento é de R$ 200 milhões por ano.

De lá para cá ganhamos 70% dos Gre-Nais disputados, fomos seis vezes campeões gaúchos, três vezes vice-campeões brasileiros, uma vez vice da Copa do Brasil, além de ter conquistado a Recopa e a Dubai Cup, torneio do qual participaram Inter de Milão, Stuttgart e Ajax, a nata do futebol mundial. Além disso, todos sabem que ganhamos uma Copa Sul-Americana, duas Libertadores, o Mundial e somos o único clube do Brasil que ganha títulos internacionais desde 2006.

Sem dúvidas há uma grande diferença que faz o orgulho de todos nós colorados. Também faz com que na nossa terra todos queiram ser iguais a nós.

A única revelação a ser feita

Hoje à tarde, nosso treinador Celso Roth realizou um trabalho fechado para a imprensa. Ele exercitou, mais uma vez, a marcação por pressão, bolas paradas, ofensivas e defensivas, bem como cobranças de faltas diretas ao gol. Foi um treino exaustivo, no qual nossos atletas aprimoraram seus principais fundamentos nas respectivas atividades.

Por se tratar de treinamento fechado, é claro, não poderei revelar e discorrer detalhes do que foi executado pelo grupo. Todavia, permito-me, à revelia da ordem do nosso treinador, apresentar aos leitores uma única revelação entre outras tantas que poderia fazer. Tal revelação indica que Rafael Sobis se encontra no seu melhor momento desde que retornou ao Inter: rápido, ágil, participativo, com muita habilidade, e aperfeiçoando seu potente chute a cada prática.

Tenho convicção de que Sobis será um dos diferenciais que o Inter apresentará a partir da próxima terça neste Mundial de Clubes.

Amanhã, conto com detalhes como foi a reunião em que decidi ficar no futebol do Inter.