Hiltor Mombach

Cascudos, noviços e clichês

Dias atrás escrevi que o futebol é lotado de clichês.
Alguém já disse que de tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade.
Verdade.
Um dos clichês diz que treinador cascudo e com currículo tem o grupo de jogadores na palma da mão.
A lenda urbana diz que, cansados de xingamentos, os garotos do Grêmio foram decisivos para a derrubada de Felipão.
Se non è vero, è ben trovato.
Outro cliché diz que treinador noviço não se impõe.
Contratado em maio de 2015, Roger Machado deixou o Grêmio em setembro de 2016 após 93 partidas à frente da equipe, com 48 vitórias, 21 empates e 24 derrotas.
O aproveitamento foi de 59%.
Cometendo uma verdade exagerada diria que todo treinador é uma aposta.
Algumas custam mais caro do que outras.
Roger não decolou na sua profissão por ser Roger.
Também por isto, mas muito mais pelo que herdou de Felipão, com quem já atuavam, entre outros, Marcelo Grohe, Geromel, Marcelo Oliveira, Maicon, Luan, Everton, Douglas, Ramiro...
Roberto Melo montou um time de Série A para jogar a B e Zago deu padrão de jogo.
O Inter não necessita de um salvador da pátria nem de um milagreiro, mas de um treinador que ajuste as peças.