O mundo continua em estado de choque pela queda do avião da Chapecoense, que matou 71 pessoas na Colômbia, perto da cidade de Medellín, onde a equipe faria o primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana diante do Atlético Nacional.
A Associação Chapecoense de Futebol surgiu em 1973 da fusão de dois outros clubes de Chapecó. Quatro anos depois, obteve seu primeiro catarinense.
Em cinco anos, saiu da série D do Brasileiro, a quarta divisão, para o Brasileirão da Série A. Obteve acesso à primeira divisão em 2013. Estreou na A em 2014 e e ali se manteve como um exemplo de organização.
Um trabalho feito pelos profissionais da área de crédito do Itaú BBA, baseado em informações públicas, mostra bem isto. Chama-se “Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros | 2016”.
O trabalho, com base em 2015, começa assim: “É um momento de dificuldades. Partindo de um período sombrio, com atraso de salários, aumento de custos e receitas em queda, os clubes brasileiros de futebol precisam de uma revolução contra o Império da má gestão.” A avaliação da Chapecoense, porém, destoa dos demais.
“Muito bom desempenho das receitas, com crescimento de 34% em 2015. O grande impulso se deu nas receitas com TV, que cresceram 51%. Como os contratos são renovados anualmente, o bom desempenho que o clube vem tendo esportivamente ajuda nos aumentos. TV representa 54% do total.
Receitas com publicidade também cresceram mas representam pouco do total. Destaque também para a bilheteria, que representa 23% do total e se manteve estável em 2015. O clube é bastante equilibrado e não se utiliza de adiantamentos; clube investe dentro de sua capacidade, e em 2015 utilizou maior parte dos recursos na base e volume de dívidas muito pequeno, maior parte operacionais e que cresceram em função do aumento da folha de pagamento..”
No arremate, a avaliação do Itaú BBA diz que a Chape é um “exemplo para os pares”.
“A Chapecoense é daqueles clubes que sabe das suas limitações em termos de alcance de torcida e receitas. E faz um trabalho excepcional, considerando essas limitações. Equilibrado, gastando apenas o que arrecada, consegue mobilizar a cidade e fazer boa receita com bilheteria. Montando equipes competitivas, se mantém na Série A e obtém receitas mais consistentes da TV. Gestão consciente e cujo resultado se vê nos balanços e em campo.”
A Chapecoense estava vivendo seu melhor momento em sua curta história. Pela primeira vez, disputaria a final de um torneio internacional, a Sul-Americana.
No ano passado, o representante catarinense só parou nas quartas de final diante do River Plate, da Argentina, então campeão da Libertadores.
