Hiltor Mombach

Chiele: ‘Precisamos tratar o sócio do Grêmio melhor do que hoje, principalmente o do Interior’

Pré-candidato à presidência do Grêmio conversou com o blog e fala sobre temas como SAF, Arena e eleições

Gladimir Chiele é o quarto pré-candidato à presidência do Grêmio este ano
Gladimir Chiele é o quarto pré-candidato à presidência do Grêmio este ano Foto : Divulgação / CP

Carlos Corrêa / Interino

Advogado, especialista em direito administrativo, 62 anos, conselheiro do Grêmio há 12. Gladimir Chiele é, talvez, a grande surpresa neste momento pré-eleitoral do clube. Quando todos pensavam que, em um pleito polarizado entre Paulo Caleffi e Marcelo Marques, apenas Dênis Abrahão tentaria correr por fora, eis que surge outro candidato, representando o Movimento Grêmio Torcedor. O blog conversou com Chiele e reproduz a seguir os principais trechos do bate-papo, separados por tema.

MOTIVAÇÃO

‘É uma decisão que foi tomada não de forma isolada, mas num conjunto de pessoas, especialmente as lideranças do Interior do Estado. Temos um trabalho nos bastidores há muitos anos. Muito em relação à Arena, desde o início, as discussões do contrato, junto do doutor (Hélio) Dourado, depois com o Fábio Koff. Queremos um trabalho de gestão. Hoje, o clube não tem planejamento nem de curto, nem de médio e muito menos de longo prazo. Até dentro de casa se faz planejamento do que se vai comprar até o fim do mês. E o Grêmio tem uma dificuldade nisso.’

SAF

‘Somos totalmente contra, é algo desnecessário. Já temos em casa uma SAF que é a Arena e os conflitos acontecem desde a inauguração. Não podemos vender a nossa identidade senão o clube passa a ter um dono. E como torcer para algo que tem um proprietário, alguém que não vai ouvir ninguém, afinal de contas o foco da empresa vai ser apenas ter lucro’.

“Já temos em casa uma SAF que é a Arena e os conflitos acontecem desde a inauguração. Não podemos vender a nossa identidade senão o clube passa a ter um dono”

ARENA

‘Precisamos trabalhar a Arena para o seu torcedor. Tratar o sócio, principalmente o do Interior, muito melhor do que hoje. Ele precisa ter tranquilidade na compra do ingresso, saber que pode sentar junto no estádio, comprar ingresso de forma mais simples, hoje é um parto. É preciso chegar 4 ou 5 horas antes a Porto Alegre e ficar passando tempo, procurando um lugar para estacionar.

Em 2016, quase fechamos negócio. Em 2019 também, estava tudo acertado, até a compra do E2 (estacionamento), mas a Caixa Federal não concordou por causa das obras do entorno. A OAS não é desse ramo, ela também quer vender. Podemos comprar a gestão da Arena, até porque conhecemos todo esse processo. Inclusive a negociação com os bancos. Aquela vez estava acertado até o pagamento parcelado. Toda essa negociação é possível’.

MECENAS

‘Não temos. Nós temos honestidade e gestão. Não vamos iludir ninguém, vamos trabalhar com gestão. Projetar o Grêmio tanto no curto como no médio e longo prazo. Se fala que a Leila (Pereira), presidente do Palmeiras colocava R$ 100 milhões no clube. Mas a realidade lá é outra. E mais, no caso do Grêmio quando se fala em colocar dinheiro, é R$ 100 milhões por ano? Por mês? Uma vez? Porque não basta ter só uma bala. E se não der certo? Somente a pessoa ter dinheiro não pode ser o que define a capacidade de ser um bom presidente. Senão chamamos o (Jorge) Gerdau ou o dono da Marcopolo.’

"O torcedor precisa ter tranquilidade na compra do ingresso, saber que pode sentar junto no estádio, comprar ingresso de forma mais simples, hoje é um parto.”

ELEIÇÃO POLARIZADA

‘A eleição no Grêmio é uma incógnita até o último minuto. Até o momento, se falava muito em uma polarização virtual, com dois candidatos com apelo. O Caleffi tá em campanha há muito tempo, o Marcelo surge como novidade com base em promessas de financiamento, o que é uma faca de dois gumes, porque não é só dinheiro, é administração. É um fato novo e claro que cria uma expectativa natural e isso induz as pessoas.’

BASE ELEITORAL

‘Hoje temos entre 10 e 12 conselheiros. Mas a questão não é o Conselho Deliberativo de hoje, mas sim o que se pode conseguir na eleição para a renovação de 150 cadeiras no Conselho (que acontece em setembro). Formamos uma composição com lideranças do Estado inteiro, mais de 500 pessoas interessadas em colaborar com o Grêmio. Se não tivermos o suficiente para atingir a cláusula de barreira (15%), aí estamos fora. Mas se fizermos pelo menos o número mínimo, teremos 45, 48 nomes e vamos para pátio. E aí tudo pode acontecer. Queremos alterar a forma como acontece hoje, onde se formam grupos e escolhem tudo dentro dos seus. Queremos ampliar isso para todo o Estado e para fora.’

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