Hiltor Mombach

CHOLAS

CHOLAS

O Inter está em Santa Cruz de La Sierra.
Estive lá vai tempo.
Foi durante a Copa América de 1997.
Lá, escrevi a coluna abaixo.

CHOLAS

Carregam seus filhos e o orgulho.
Não aceitam trabalhar para os brancos, dizem aqui com algum preconceito.
Trocam a pobreza de La Paz, Oruro, Cochabamba e Potosí pela miséria inclemente de Santa Cruz.
São as cholas, esmoleiras índias bolivianas, perdidas numa terra que outrora foi sua, hoje identificadas como mendigas. Delas você ouve histórias, lendas.
Usam sete saias e nada mais.
Como se sete saias já não fosse um exagero suficiente.
Defecam nas calçadas, contam, acrescentando que uma das saias é usada como papel higiênico.
Não quero crer, embora as veja de cócoras aqui e ali.
Eu as conhecia através de cartões-postais.
Me pareciam doces, altivas, cativantes, ingênuas, figurando ao lado do Illimani, do Titicaca, do sol esplendoroso de La Paz. Ainda me parecem assim, só que famintas, desnorteadas, maltrapilhas e sem compreender nossa ignorância.