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Sempre fui apaixonado por manchetes, por fazer títulos. Nestes quase 40 anos de Correio do Povo, produzi milhares. Um, Fábio Koff recortou e guardou sobre a sua mesa, o da conquista da Copa do Brasil, em 1994: “Grêmio manda no país do tetra”. Fernando Carvalho até hoje lembra de uma manchete feita por mim vai muito tempo: “O Beira-Rio vai rugir”. No tempo do Correião, do jornal standard, em oito colunas, os títulos eram feitos em laudas numa máquina de escrever Remington. A manchete quase sempre tinha 23 toques, ou 23 letras. A letra “m” valia por duas e dois “is” por uma. Não havia computador e os diagramadores usavam um espelho (página) para desenhar a página usando lápis 6B, calculadora, régua de paica... Devo ter faltado às aulas do querido e inesquecível mestre Anibal Bendati, pois não aprendi a diagramar. Os diagramadores sabiam da minha facilidade e rapidez em fazer um título e eu brincava com isto. Era véspera de estreia do Brasil na Copa e queria uma manchete com corpo garrafal, o maior permitido. Estava desenhada a chance para o diagramador me colocar diante de uma sinuca de bico. “Cinco letras”, falou, com um sorriso de quem sentencia “te peguei”. É hoje, respondi prontamente. Não precisava de mais nada, pois ali estava a manchete: É hoje! Décadas depois, vale o mesmo.