Hiltor Mombach

Clubes aceitam seguir a reboque

Os dirigentes falam em Liga, em separação da CBF, mas mostram na prática serem incapazes, seguem a reboque, subservientes

Entidade arrecadatória do futebol nacional, a funesta CBF, que teve seus últimos três ex-presidentes defenestrados por acontecimentos que ainda cheiram mal, corridos por corrupção (Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero) propôs aos clubes um limite para trocas de técnicos. 

Pela primeira vez na história, cada time só poderá ter dois treinadores ao longo da competição nacional. A medida também determina que os treinadores só poderão trabalhar por duas equipes diferentes.
Estamos diante de uma clara intervenção desta entidade nos clubes. Com autorização de 11 deles, a maioria. Nove votaram contra.

Os dirigentes falam em Liga, em separação da CBF, mas mostram na prática serem incapazes, seguem a rebote, subservientes. Cometendo um exagero (será?) o próximo passo será limitar o número de laterais, zagueiros, volantes....

"Uma medida completamente ilegal, arbitrária e invasiva que tem reflexos em esferas cuja competência não é da entidade de administração do desporto. Que não venham aqui defender a alegação conveniente de autonomia do art. 217 da CF/88, pois ela não é absoluta e no cenário futebolístico brasileiro sempre foi usada de forma conveniente.

Essa nova medida vai inclusive permitir que clubes forcem os técnicos a pedirem demissão, pois nesses casos não é contabilizada a troca. Haverá uma pressão absurda, podem acreditar. E essa pressão pode culminar com o combatido assédio moral na relação de trabalho” disparou Theotonio Chermont, advogado especialista em direito desportivo, para o site Lei em Campo. 

O Grêmio votou contra. O Inter seguiu a CBF. Logo tu, Inter! Certamente esqueceu do episódio de 2005 e, memória curta, talvez tenha deletado os acontecimentos do Brasileiro de 2020.

Para Theotonio Chermont, a limitação de contratação de treinadores na competição causará um “retrocesso social”, além de “engessar os clubes” por meio do regulamento. Ou seja, na carona da funesta, os clubes se autoengessaram.

O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, atacou tal medida, superficial, decorativa, falando de coisas que realmente importam.
“Ora, se não haverá punição aos clubes que gastam mais do que arrecadam, se todo mundo pode continuar dando calote, se insistiremos em adiar mudanças realmente estruturantes, não venham controlar quantos treinadores eu devo ou não devo contratar em um campeonato.” 

Calote pode. Contratar mais do que dois treinadores não pode. Êta mundão!

Enquanto a CBF se preocupa com perfumaria, nesta intervenção estapafúrdia, os 60 clubes presentes nas três principais divisões do Campeonato Brasileiro de 2021 têm quase R$ 1 bilhão em dívidas abertas com a União Federal.