Hiltor Mombach

Coitadismo

O presidente da CBF José Maria Marin recebeu uma homenagem especial feita pelo presidente da FPF, Marco Polo Del Nero. Os dois comandam uma terceira entidade, a Confederação Paulista de Futebol. Sou do tempo em que as gentilezas aconteciam após os favores prestados. Sou jurássico, como se vê.
Abro com a homenagem mas meu assunto é outro. Tenho lá minhas obsessões. E síndromes. Minha obsessão é o Brasileiro transformado em torneio Rio-São Paulo. Uma das síndromes, a do coitadismo. Hoje escreverei sobre o coitadismo.

Flamengo, Vasco, Botafogo e Fluminense passarão a ganhar juntos R$ 259 milhões anuais da TV, média de R$ 64,7 milhões cada. A dupla Gre-Nal, R$ 100 milhões, R$ 50 milhões cada. Se os valores não estiverem corretos, a proporção está e é isto que interessa. Afinal, o que se ouve é que os contratos fechados com a TV sem a intervenção do C13 são mantidos sob sigilo por esconderem diferenças gritantes até entre clubes para quem foi prometido cotas iguais.
Inter e Grêmio levaram aos seus estádios 646 mil pessoas no Brasileiro de 2011, média de 323 mil. Os quatro do Rio, 1,05 milhão, média de 263 mil. Inter e Grêmio representaram em junho/julho de 2011 10,8% da venda de pay-per-view no país, média de 5,4%. Os quatro do Rio, 32,5, média de 8,1%, mas aqui é preciso uma ressalva: sem o Flamengo, a média dos três cai para 5% cada.
Em 2007, o C13 encomendou dois estudos para saber como deveria ser a cota de participação de cada clube. Num deles, o Vasco da Gama deveria receber 5,4% do total e o Santos, 4,9%. O Inter aparecia com os mesmos 5,4% do Vasco.
Aqui reside minha síndrome do coitadismo. O que é que o Vasco, e vou me ater só ao Vasco, tem que Inter e Grêmio não tem para estar no segundo escalão, atrás apenas de Flamengo e Corinthians, recebendo entre 40% e 50% a mais do que a Dupla? Como aceitamos com nossa história, importância e títulos, ir a reboque, num humilhante e constrangedor terceiro escalão? Sem falar que Inter e Grêmio são os dois clubes com maior número de sócios no Brasil.

Dias atrás li haver um movimento de alguns clubes para reivindicar maior equilíbrio e justiça na distribuição das verbas. Ficaria orgulhoso, como gaúcho, se Odone e Luigi estivessem à frente. Deveria ser questão de honra para os dois presidentes exigir paridade.