Coitadismo, não
Algumas das informações que você vai ler são exclusivas.
Nas projeções orçamentárias para 2010, o Grêmio prevê um faturamento de R$ 113 milhões e gastos de R$ 112 milhões.
As gestões Obino e Odone tiveram que administrar o coitadismo, principalmente no futebol. Berdichevsky e Krebs tocaram o futebol com gastos que não ultrapassavam R$ 400 mil mensais. O Juventude gastará R$ 350 mil na Série C do Campeonato Brasileiro. Renato Moreira, e aqui já estamos na administração Odone, foi engessado num orçamento de R$ 1,7 milhão por mês e, com seus pares, fez milagre.
Na gestão Obino não havia dinheiro para pagar luz e água. Começou ali o processo de comprometimento financeiro do Grêmio que resultaria nos condomínios de credores de hoje. Obino não é culpado, é vítima, embora muitos conselheiros não entendam isso. Os que não entendem devem fazer parte do número expressivo que não comparece às reuniões e, do clube, sabe pouco ou quase nada.
A gestão Odone foi marcada pela frase de Túlio Macedo "em cada armário um esqueleto". Abria-se uma gaveta e lá estava um processo milionário contra o Grêmio. Duda Kroeff herdou os condomínios e descobriu, pelo caminho, novos armários e velhos esqueletos.
Dentro do contexto pós-ILS, a proposta orçamentária é uma luz no fim do túnel e, essa luz, não é a de um trem vindo em sentido contrário.
O clube espera receber, com televisão, R$ 31,6 milhões. É a maior fatia oriunda de um item isolado. Por ordem, de onde deverão vir os maiores rendimentos: quadro social, R$ 28,7 milhões; marketing, R$ 19 milhões; venda de atletas, 17,6 milhões; renda de jogos; R$ 10 milhões; resultado da loja Grêmio Mania, R$ 3,3 milhões; mecanismo de solidariedade; R$ 2,3 milhões e outras receitas, R$ 260 mil.
Nas despesas com futebol, há uma previsão de R$ 44,7 milhões assim divididos (de forma arredondada): R$ 27,4 milhões com atletas; R$ 2,4 milhões com administração; R$ 2,4 milhões com as categorias de base; R$ 2,1 milhões com a administração das categorias de base e R$ 10,3 milhões com administração geral. Foram reservados R$ 9 milhões para serviços de terceiros e, nesses serviços, entra o pagamento da comissão técnica, no total de R$ 4,9 milhões na temporada.
O futebol trabalhará com um "limitador" de R$ 3 milhões mensais. São R$ 36 milhões no ano. Se o futebol não for bem não será por coitadismo da economia do clube. Não são muitos os clubes brasileiros que disporão de tal orçamento.
