Hiltor Mombach

Coligay venceu preconceitos, conquistou espaço e virou livro

Morreu Volmar Santos, torcedor fundador da histórica torcida Coligay, também reconhecido como cantor, empreendedor e colunista social.

Coligay foi fundada em 1977 e chegou a ter 150 torcedores
Coligay foi fundada em 1977 e chegou a ter 150 torcedores Foto : Mauro | CP Memória

Do site do Grêmio.
"É com imenso pesar que o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense se despede de Volmar Santos, torcedor fundador da histórica torcida Coligay, também reconhecido como cantor, empreendedor e colunista social.
Natural de Passo Fundo, teve papel fundamental na criação da Torcida Organizada Coligay em 1977, reconhecida por dar sorte ao Tricolor em seus jogos.
Volmar Santos recebeu homenagem do Grêmio em 28 de junho de 2023.
Na ocasião, o então presidente do Conselho Deliberativo Alexandre Bugin, em reconhecimento por sua importância para a história do Clube, entregou-lhe uma camiseta tricolor e uma braçadeira de capitão com as cores da bandeira LGBTQIAPN+, alusiva ao projeto Clube de Todos.
O Grêmio se solidariza com amigos e familiares neste momento.
O velório terá início às 15h, na Capela A do Cemitério Vera Cruz, em Passo Fundo. O sepultamento será na terça-feira, às 9h."
LIVRO
O jornalista gaúcho Léo Gerchmann escreveu um livro que levou o título de livro "Coligay, tricolor e de todas as cores".
No livro, Gerchmann entremeia histórias sobre a trajetória da Coligay com capítulos sobre o time e as conquistas do Grêmio à época.
A Coligay foi fundada em plena ditadura, em 1977, por iniciativa de Volmar Santos, que era gerente de uma famosa boate gay em Porto Alegre, a Coliseu.
Neste cenário, torcedores decidiram expressar seu amor ao time assumindo a homoafetividade.
Veio a fama pé-quente.
CONVITE
Fama que atravessou as fronteiras do Rio Grande do Sul.
A Coligay foi convidada pelo presidente do Corinthians na época, Vicente Matheus, para assistir no Morumbi à final do Campeonato Paulista de 1977.
E o convite deu certo: com um gol de Basílio o time venceu o campeonato e encerrou um jejum de 23 anos sem títulos.
"No primeiro jogo em que fomos ao Olímpico, a surpresa e o desespero dos torcedores foi geral, tanto que queriam brigar e surrar os componentes da torcida por não aceitarem aqueles gays cantando, rebolando", disse Volmar Santos em trecho publicado por Gerchmann no livro.
Com o tempo, a Coligay conquistou seu espaço nas arquibancadas do Olímpico e a simpatia dos que amavam o Grêmio.

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