Foi aprovado o projeto de lei que permite a comercialização e o consumo de bebida alcoólica em estádios de futebol e ginásios de esportes do Rio Grande do Sul. É de autoria dos deputados Gilmar Sossella e Ciro Simoni.
As direções de Inter e Grêmio agradecem.
Vai haver concorrência entre empresas, que certamente pagarão alguns milhões para venderem bebida alcoólica na Arena e no Beira-Rio.
A questão aqui sempre foi financeira, pouco importando o lado social.
No Interior, os clubes vivem da grana da copa, da venda de amendoim, pinhão, cerveja e cachaça.
Ciro Cimoni disse que o projeto “atendeu a pleito dos dirigentes de clubes da Capital e do Interior”.
Talvez ele garanta um lugar no ônibus do Grêmio e do Inter em futuras caravanas pelo Estado, visitando consulados da Dupla e arrecadando votos.
Com apoio ainda da Federação Gaúcha de Futebol.
Para o político a proibição não é responsável pela redução da violência, como alardeiam alguns setores, já que os torcedores costumam beber em estabelecimentos localizados nos arredores dos campos de futebol:
“O que garante a redução da violência é o trabalho que vem sendo feito pelos clubes, Ministério Público e Poder Judiciário para identificar, julgar e punir o torcedor bagunceiro”.
Um dos setores que “alardeiam” é a Justiça.
Juiz titular do Juizado do Torcedor e Grandes Eventos de Porto Alegre há 10 anos, Marco Aurélio Martins Xavier tem uma frase definitiva sobre o assunto:
“Álcool nas arquibancadas é combustível para a violência”.
Para Marco Aurélio, a volta da venda de bebidas de álcool nos estádios é um tremendo retrocesso, um freio na pacificação.
Ninguém conhece mais este assunto do que ele.
Inter e Grêmio poderiam encomendar uma pesquisa junto aos sócios.
São quase 200 mil.
Para saber o que eles pensam sobre o assunto.
Certamente isto não interessa.
Importa é a grana que entrará nos cofres.
Os bebuns agradecem.
