Há 20 anos cometi uma sentença definitiva logo após ser decretado o fim do mata-mata, com a aprovação da fórmula de pontos corridos do Brasileiro. Escrevi que não veríamos Inter e Grêmio festejarem um título pelos próximos 100 anos. Depois, transformado num Nostradamus de bombacha e alpargata, cometi um segundo vaticínio: num futuro não muito distante veríamos colorados e gremistas invadirem a Avenida Goethe para comemorarem vaga na Libertadores.
Nelson Rodrigues dizia que “o patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente”. O passado, o mata-mata que nos presenteou com cinco títulos, que nos tornava protagonistas, injeta no presente um saudosismo cáustico, sofrido.
Começo 2024 como terminei 2023: pessimista. O Flamengo já gastou R$ 80 milhões numa contratação e tem mais R$ 60 milhões para outros reforços. O Corinthians já investiu mais de R$ 100 milhões. O Palmeiras nada em dinheiro. Por aqui estamos mergulhados em contas para pagar. Não dá para competir. É triste!
