Hiltor Mombach

COMISSÃO DE ÉTICA DO GRÊMIO PODE SER ACIONADA

COMISSÃO DE ÉTICA DO GRÊMIO PODE SER ACIONADA

O relatório elaborado pela Comissão de Ética do Grêmio sobre o Caso ISL foi arquivado em 13 de agosto de 2007 em uma reunião que se arrastou por quatro horas. Foram 115 votos pelo arquivamento contra 89 pela votação imediata. A maioria optou por não ouvir o conteúdo do documento que tratava da gestão do ex-presidente José Alberto Guerreiro na questão. ’Confesso que é um alívio. Hoje as coisas foram colocadas nos seus devidos lugares. Esta era uma ação política que nada tinha a ver com a verdade’, disse Guerreiro
Do Correio do Povo do dia seguinte: "A proposta de arquivamento foi apresentada pelo ex-presidente Fábio Koff - e apoiada pelo atual, Paulo Odone - e surgiu como alternativa em uma reunião na qual se avizinhava uma disputa entre dois grupos, a favor e contrários a Guerreiro. A decisão dividiu os conselheiros. ’É uma desmoralização. Nem sequer lemos o relatório’, afirmou Luiz Vallandro. ’Acredito que o pedido foi uma observação técnica e correta. Não cabe a nós julgar quem vai ser julgado pela Justiça’, diz Odone.
Ainda do Correio do Povo: "O conselheiro Pedro Ruas atuou como relator da comissão de Ética, atuando ao lado de Geraldo Nogueira da Gama, José de Jesus Peixoto Camargo e Omar Gustavo Panitz Selaimen. Ruas estava decepcionado com o arquivamento do relatório: ’Foram 29 sessões, oito meses de trabalho. A primeira versão tinha mais de 100 páginas. Enxugamos para 12. Nós não decidimos montar a comissão. O trabalho foi nos delegado. Lemos o relatório na presença dos advogados das partes, enviamos cópias. É inadmissível que o resultado nem tenha sido apresentado. O Grêmio não merecia passar por esse fato. É um absurdo o relatório ter sido arquivado antes de ser conhecido. A maioria dos conselheiros abriu mão, mais do que de uma prerrogativa, de um dever de conhecer os fatos e o enquadramento’.
Segundo Pedro Ruas, a comissão de Ética ’trabalhou à luz do velho e do novo estatuto e do código de ética para garantir aos conselheiros todos os subsídios. Esses poderiam rejeitar o relatório. O que eu não aceito, e estou falando em meu nome e não dos meus companheiros de comissão, é que se tenha arquivado sem sequer dar chance para sua leitura’. Questionado se os integrantes da comissão de Ética poderiam renunciar ao Conselho, Pedro Ruas disse apenas não se surpreender se isto acontecesse.
Do mesmo Correio do Povo: "Na polêmica reunião do Conselho Deliberativo do Grêmio, na noite de segunda-feira, poucos conselheiros defenderam tanto o ex-presidente José Alberto Guerreiro quanto Jayme Eduardo Machado. Em todas as entrevistas antes da sessão, o ex-dirigente mostrava-se favorável à imediata votação sobre o relatório da Comissão de Ética que tratava do Caso ISL, argumentando ser Guerreiro vítima de uma perseguição política.
Horas mais tarde, Machado deixava o Olímpico comemorando a decisão tomada pelo Conselho Deliberativo que arquivou o documento. Mesmo que a opção pela votação do relatório tivesse sido derrotada por 115 votos a 89, o conselheiro viu como positivo o resultado. E revela que ele mesmo votou pela alternativa vencedora. ’Entendi que o arquivamento liquidava o problema. Foi um voto para acabar com uma situação que ia se eternizar no Conselho Deliberativo’, explica ele.
Machado lembra que o voto de Guerreiro foi favorável à votação, mas que o arquivamento também foi bem recebido pelo ex-presidente. ’A decisão impediu que ele pudesse vir a ser julgado politicamente pelo Conselho’, afirma.
A exclusão de Guerreiro do quadro social do clube só vai ocorrer se a decisão na Justiça sobre o Caso ISL apontar o ex-presidente como um dos culpados."
O caso terminou. Transitou em julgado.
Trecho da decisão de uma ação que teve como agravante José Guerreiro e agravado o Ministério Público do RS: " Com efeito, em que pese a condenação do agravante, foi declarada extinta a punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva, restando evidenciada a falta de interesse na interposição do recurso especial."