Hiltor Mombach

Comoção tem prazo de validade

Comoção tem prazo de validade.
Pode parecer uma verdade exagerada e cruel, mas comoção eterna é uma utopia.
Diria que a comoção dura enquanto dura a comoção.
Telefonei para Hélder Lopes. Batemos um longo papo. Hélder Lopes era o presidente do Brasil de Pelotas quando em 15 de janeiro de 2009 um acidente com o ônibus que transportava o time do matou três pessoas. Outras nove pessoas ficaram feridas.
Estava jantando quando do acidente. Era madrugada. Retornei para o Correio do Povo para um plantão, em busca de informações.
Os dias que se seguiram foram de comoção e promessas. Queria saber de Hélder Lopes se o prometido foi cumprido.
Ouvi dele que muitas promessas que ele ouvira não haviam passado de boato; outras se confirmaram pela metade e muitas das cumpridas decepcionaram. Havia passado o prazo de validade.
Sessentão, curtido pelos reveses, vacinado contra promessas feitas em momento de comoção, com mais de 40 anos de estrada no jornalismo, se pudesse aconselhar os dirigentes da Chape neste momento de dor (só em escrever Chape meus olhos se enchem de lágrimas) diria: coloquem a promessa no papel, peguem a assinatura do prometedor e levem a um cartório para reconhecimento.

Hélder Lopes relata não ter sequer recebido um telefonema da CBF na época. Diz que a FGF não formalizou a intenção de o Brasil não disputar o Gauchão daquele ano retornando na Série A. Mais: cinco dias depois, em 20 de janeiro, a FGF divulgou tabela do Brasil de Pelotas, com oito jogos em 16 dias. Em março o time estava rebaixado.

Hélder Lopes diz ter sido bem recebido pelo presidente do Grêmio na época, Duda Kroeff, e ter ficado decepcionado com os jogadores oferecidos. No Inter, foi diferente. Afirma de ter sido recebido com frieza por Fernando Carvalho e de ter ouvido que infelizmente o Brasil de Pelotas deveria prosseguir por ele mesmo.