Escrevi nesta semana uma coluna que levou o título “Romildo governador!” Continua repercutindo.
A coluna saiu num dia e, no outro, o presidente do Grêmio anunciou que o time irá treinar em Santa Catarina. Motivo: o governador Eduardo Leite (PSDB) não libera treinos coletivos, apenas trabalhos físicos.
Não tirei o assunto da cartola. Há várias matérias dando conta de que Romildo poderá ser candidato e o deputado federal Pompeo de Mattos, que também é presidente estadual do PDT, havia cometido a seguinte indiscrição: “Precisamos consolidar o nosso projeto para que em 2022 tenhamos o Romildo Bolzan Júnior como nosso candidato a governador. Já está definido internamente. O Romildo, que foi prefeito de Osório três vezes, presidente do Grêmio, presidente do PDT gaúcho, cargo que ocupo. É uma grande figura humana. Como gestor clubístico, é o melhor do Brasil”.
Lembrei na coluna de uma frase de Fábio Koff de 2017: “Não ficaria surpreso se ele saísse do Grêmio e fosse candidato a algum cargo político porque ele é um ente político. Ele tem muita habilidade política. É inteligente, é competente, é capaz.”
Obviamente um clube do tamanho do Grêmio alavanca uma candidatura. Mas, e há sempre um mas em tudo, assim como pode alavancar pode afundar desde que o presidente não tenha sucesso na sua gestão.
Como Romildo virou presidente? Lembrando que, se Romildo era conhecido na política partidária, entrou no Conselho de Administração do Grêmio como uma grande surpresa. Era desconhecido no mundo do futebol.
O relato que segue é de Fábio Koff quando de uma entrevista para este colunista acompanhado do editor de esportes Carlos Corrêa e do fotógrafo Ricardo Giusti.
“O Romildo Bolzan é o seguinte. O poder político no Grêmio estava fracionado em grupos e o Romildo fazia parte de um grupo ligado ao Hélio Dourado. Aí convidei o Romildo para jantar comigo uma noite. Ele não tinha atuação lá dentro ainda. Perguntei se poderia cogitar o nome dele para uma vice-presidência. Me respondeu que sim, que teria muito orgulho e realmente, com o tempo, houve integração com o grupo do Hélio Dourado na nossa campanha, foi conosco para o Interior. E o Romildo coloquei numa posição no Conselho de Administração. E ele mostrou muita habilidade. Ele tem uma habilidade política muito grande, é alguém muito hábil. E foi um companheiro muito leal.
Nos episódios da OAS, que dá para escrever um livro só disso, ele esteve sempre solidário, sempre presente. No fim daquele ano, em 2014, mais ou menos lá por setembro ou outubro, eu estava exausto, sentindo os efeitos da briga com a OAS, era um desgaste físico muito grande, havia inclusive consultado um médico que me indicou parar. Então resolvi fazer uma reunião de diretoria com o Conselho de Administração para escolhermos o candidato. Até então o único que havia admitido ser candidato era o Renato Moreira. Fiz a reunião.
Eu havia passado por uma experiência muito negativa na eleição do Conselho Deliberativo, quando membros da minha diretoria apoiaram chapas da oposição. Então coloquei as cartas na mesa. Vamos fazer uma reunião aqui e escolher um candidato entre vocês. Com um compromisso: o que for escolhido, os outros todos fecham junto, senão entreguem o cargo agora. Aí concordaram.
Comecei dizendo que o Renato Moreira havia me procurado explicando que poderia ser candidato, que não havia mais empecilhos profissionais, caso essa a escolha.
Então começamos a escolher, perguntei ao Nestor Hein quem era o candidato dele. Romildo Bolzan. Anotei. O próximo, (Adalberto) Preis, quem era o candidato? Romildo Bolzan. O próximo foi o Odorico. Romildo Bolzan. O (Marcos) Herrmann não estava presente, o Romildo votou nele e disse que aceitava. Disse então que ele teria que cumprir duas condições. A primeira era se desligar do seu partido político, porque sou contra participação de detentor de cargo político no Grêmio. A segunda era para ele passar no médico a cada 15 dias porque ia ter um infarto. Ele me disse então que se sacrificaria, que queria muito ser presidente do Grêmio.”
As informações dão conta de que Romildo Bolzan não era o plano A de Fábio Koff. O primeiro da lista era Adalberto Preis, que não aceitou. Teria havido insistência de Koff, com novas negativas de Preis, que optou por permanecer no Conselho de Administração, aceitando depois ser vice de futebol de Romildo. Preis trouxe Renato, que acabou com o jejum de títulos.
Como Romildo virou presidente do Grêmio
Relato de Fábio Koff
