Hiltor Mombach

Compra da Arena ameniza crise financeira é feito digno de estátua

Não há exagero na afirmação de que Marcelo Marques evitou uma crise financeira do tamanho daquela gerada pela parceria com a ISL.

Marcelo Marques doou Arena ao Grêmio
Marcelo Marques doou Arena ao Grêmio Foto : Grêmio / Reprodução / CP

O melhor, e talvez único, critério para ser merecedor de uma estátua oferecida por um clube de futebol esteja baseado na emoção do torcedor com fatos relacionados a acontecimentos de campo, do jogo ou dos jogos em si.

E 17 de dezembro de 2006 o Internacional se sagrava campeão mundial de clubes pela primeira vez em sua grandiosa história.

A conquista teve Fernandão como seu principal destaque dentro dos campos.

Quase duas décadas depois, o ídolo da torcida do Inter recebeu como homenagem uma estátua. Fernandão morreu num acidente em 7 de junho de 2014, em Aruanã, a 315 km de Goiânia.

Uma estátua de Renato Gaúcho foi inaugurada em 25 de março de 2019 na esplanada da Arena do Grêmio, em Porto Alegre, como homenagem aos feitos realizados como treinador e ex-jogador. A estátua retrata o ídolo tricolor comemorando um de seus dois gols na vitória sobre o Hamburgo, na final do Mundial de Clubes de 1983.

Uma estátua de Abel Braga foi inaugurada em fevereiro de 2026 em Atlântida, no litoral gaúcho, bancada por torcedores empresários e conselheiros. Uma lembrança eterna de um feito histórico: Abel salvou o Inter da Segundona em 2025. Antes, havia dado uma Libertadores (2006) e um Mundial (2006). A direção do Internacional apresentou um projeto para a construção de uma estátua oficial de Abel Braga no complexo do estádio Beira-Rio.

E emoção, ou comoção como no caso de Fernandão, sensibilizam o torcedor quando ligadas ao futebol de campo propriamente. Eventos financeiros podem ter impacto, mas são fugazes, passageiros.

A COMPRA DA ARENA

Foi conhecido nesta semana o balanço das contas do Grêmio da gestão 2025. Reserva um trecho para a compra da gestão da Arena. Diz:

"O exercício social de 2025 marcou o início de um momento marcante na história do clube, pois a partir de novembro desse ano o Grêmio passou a exercer a gestão e a operação da Arena.

Esse evento representa um marco relevante para a entidade, pois altera a forma de organização da operação do seu principal ativo operacional de geração de receitas recorrentes.

O empresário Marcelo Marques comprou a Arena e doou para o Grêmio. Pagou R$ 50 milhões para a gestora, a Arena Porto-Alegrense, e R$ 80 milhões para a Revee. Mais reformas.

A auditoria mostrou que o clube tem um passivo circulante de R$ 516,4 milhões (grana que precisa ser paga em 2026) e uma dívida de longo prazo de R$ 419,1 milhões. Ou seja, deve quase R$ 1 bilhão.

Em números redondos, o Grêmio apresentou em 2025 um superávit de R$ 35,4 milhões. Porém, "outras receitas operacionais" geraram R$ 400,9 milhões. Não fosse isso e o déficit seria de R$ 200 milhões. Ou seja, o Grêmio foi salvo por "outras receitas operacionais" de um prejuízo histórico.

Se a situação financeira já é complicada, tente imaginar como seria sem a compra da Arena. Nos três primeiros meses de 2026 o Grêmio teria que ter pago para a gestora, a Arena Porto-Alegrense, R$ 6 milhões pela migração dos sócios. Não seria dono da bilheteria. Segundo o site Srgoool.com.br faturou R$ 4,6 milhões apenas com o Brasileiro. Não teria lançado um plano de sócios nem estaria buscando um comprador para o naming rights.

Não há exagero na afirmação de que Marcelo Marques evitou uma crise financeira do tamanho daquela gerada pela parceria com a ISL.

Um feito digno de uma estátua.