Nelson Rodrigues abre assim uma das suas crônicas:
“Ninguém confessa virtudes e repito: a simples confissão de virtudes não interessa nem ao padre, nem ao psicanalista e nem ao médium, depois da morte.”
Padeço de três males incuráveis: bairrismo, coitadismo e inveja.
Vejam: no futebol, sempre achei que seríamos engolidos pelos paulistas e cariocas. Minhas teses tem uma peculiaridade: elas vão e vem, têm efeito bumerangue. Fossem definitivas e não poderia retornar ao assunto.
Ontem, assistindo Flamengo e Palmeiras, padeci de uma inveja terrível. Bairrista assumido, fui tomado pela síndrome do coitadismo ao lembrar do primeiro Gre-Nal da temporada, aquele jogo insosso onde o Inter usou o esquema chama derrota com sucesso e o Grêmio, jogando para empatar, ganhou.
A tal da desculpa de que é começo de temporada para justificar o futebol tico-tico de Inter e Grêmio foi para as cucuias. Flamengo e Palmeiras fizeram um jogaço, num 2 a 2 emocionante. O time do Rio levou a Supercopa e R$ 5 milhões nos pênaltis.
Já temos os protagonistas demais um ano. Que inveja!
Confissões
Padeço de três males incuráveis: bairrismo, coitadismo e inveja
