Hiltor Mombach

Considerações sobre assumir a gestão da Arena

Do site do Movimento Grêmio Independente



Conforme li na imprensa, o advogado Gladimir Chiele, que também é jornalista e presta consultoria em direito publico, fez uma analise financeira da Arena do Grêmio e concluiu que a "única saída" para o clube é  assumir a gestão da Arena e o financiamento junto ao BNDES.Tenho duas dúvidas sobre este assunto:
1) A diferença entre o modelo original e a proposta futura é que o Grêmio passaria a ter 100% do resultado líquido do estádio ao invés de 65% (incluindo os R$ 41 milhões que deixariam de ser pagos a então extinta superficiária) e assumiria o financiamento do BNDES. Ou seja, durante os 10 anos do financiamento, ficaríamos com o risco de o resultado liquido ser negativo, mas do ano 11 ao 20 ganharíamos de graça 35% do resultado da Arena. Por qual motivo a OAS daria isto de graça ao Grêmio se o contrato a protege? Por qual motivo ela não faria a projeção dos fluxos de caixa aos quais ela tem direito e cobraria o valor presente disto do Grêmio para deixar a gestão assim como qualquer outra empresa privada que detivesse este ativo o faria?
2) Será mesmo que o BNDES asseguraria financiamento de R$ 290 milhões ao Grêmio, sendo que o clube tem capacidade de geração de caixa baixíssima, e mesmo no resultado do ano passado que foi atipicamente positivo em função do adiantamento de luvas contratuais por extensão do contrato dos direitos de televisão do campeonato brasileiro, não foi capaz de gerar caixa suficiente para pagar o passivo que assumiria? Eu não considero que o BNDES teria qualquer interesse no colateral (a Arena), pois se o Grêmio não pagasse a Arena e o BNDES executasse a dívida, não teria valor algum em possuir um estádio de futebol em Porto Alegre sem o Grêmio o utilizando.
Será que o BNDES aceitaria tirar do contrato as garantias da OAS, que tem ativos de R$ 3 bilhões e que gera de lucro liquido a cada ano um valor próximo ao saldo devedor do contrato e deixar apenas o Grêmio, que é uma instituição frágil financeiramente? Duvido muito.


Texto: Miguel Mickelberg