Hiltor Mombach

"Creio que o Internacional deveria erguer uma estátua do Fabrício..."

Caro Hiltor.
Faz alguns anos escrevi para você quando estava na Espanha.
Agora vivo em Aracaju e sou professor de futebol em minha Universidade.
Gostaria de fazer-lhe um comentário sobre o Fabrício e seu comportamento explosivo.
Sei que saberás entender que não estou sendo irônico.
Creio que o Internacional deveria erguer uma estátua do Fabrício (ou do dia de fúria) ao lado da estátua do Fernandão.
Observe os fatos: o Internacional estava na zona de classificação para a Libertadores e relativamente tranquilo apra classificar-se.
No Gauchão estava liderando.
No jogo estava empatando e mantendo a liderança.
Os jogadores estavam se dedicando e creio que cada um dentro de suas possibilidades.Se a bola está com o Internacional e a torcida vaia, está vaiando toda a equipe, todo o clube e sua situação.
Ao deixar a bola de lado e contestar o torcedor que estava vaiando-o (e a equipe por consequência), Fabrício diz, em nome da equipe, “se não está bom assim, se não lhes agrada a situação, porque estamos aqui jogando?”
Se o torcedor se sente no direito de manifestar-se de forma livre, Fabrício envia a mensagem: se não nos querem assim, vamos embora!O posicionamento dos demais jogadores, protegendo-o e tentando serem “educados” com o torcedor, demonstra que todos estavam sentindo a mesma coisa, mas por um acaso, sua vontade se materializou em uma ação individual.
Eu vejo uma atitude inadequada em sua intensidade, mas de extremo valor, considerando a sua intenção.
Não acredito que Fabrício jogou a camisa no chão para macular o clube, mas para dizer para aquele torcedor que não é assim que se deve comportar.
Chega dessa babozeira de dizer que Valdomiro ouviu vaias e depois de anos deu a volta por cima.
Que alguém aguentou críticas a vida toda e depois de anos fez um gol importante.
Eu sempre ouvi dizer que “...mostremos valor, constância...” “...povo que não tem virtude, acaba por ser escravo...”. Ou então, “mais vale ficar vermelho uma vez na vida que pálido para sempre”.
Robelius De Bortoli, PhDUniversidade Federal de SergipePrograma de Pós Graduação em Ciência da Propriedade IntelectualDepartamento de Educação Física