Hiltor Mombach

Crises, como um poema

As crises nos grandes clubes de futebol cabem numa frase do poema “Soneto de Fidelidade” de Vinicius de Moraes: são infinitas enquanto duram. Assim como elas entram, saem. Para voltar. E sair novamente.
No final de maio de 2006 o treinador Abel Braga era chamado de “burro, burro” por uma indignada torcida colorada, que vaiou o treinador e o time após levar 4 a 2 do Figueirense. Três meses depois, o mesmo Abel levava o Inter ao título da Libertadores.
A demissão de Fossati em 2010, somada a contratação de Celso Roth, deu aos colorados a certeza, a convicção mais absoluta, de que acabara o sonho do bi da Libertadores. Roth fracassaria, é verdade, mas na busca de um outro bi, o Mundial.
Só há uma receita para acabar com a crise: vencer. É isto que o Inter tentará neste domingo contra o Bahia. Se não vencer? A crise seguirá infinita enquanto durar. Com consequências, talvez.
Ao criticar publicamente seus comandados após o funesto empate em 2 a 2 contra o Sport, Fernandão esgotou seu discurso motivacional. Deu ali sua última cartada. Precisa, agora, ser respaldado por uma vitória. Luigi terá imensas dificuldades em mantê-lo no cargo em caso de um novo tropeço no Beira-Rio.
Assim se encaminha o domingo. Decisivo para o Inter, Fernandão e, muito remotamente, para os homens do futebol.