Sou um obsessivo confesso.
E tenho um apego excessivo a sentimentos do passado.
Alguém dirá que sou um saudosista.
Talvez.
Citei aqui mesmo mais de uma vez uma frase de uma crônica de Nelson Rodrigues:
"O patético de nossa época é que o passado se insinua no presente e repito: a toda hora e em toda parte, a vida injeta o passado no presente. Olhem em torno e vejam. É terrível. O passado irrompe numa gravata, num gesto, num sapato ou num colarinho. Estamos usando os bigodões dos nossos avós. Há sujeitos que se vestem e calçam como os nostálgicos defuntos familiares."
O amigo que me acompanha há de lembrar que de forma obsessiva venho pregando desde 2003, quando do advento do Brasileiro por pontos corridos, que não veríamos Grêmio ou Inter campeões pelos próximos 100 anos.
Antes do advento Inter e Grêmio levantaram juntos cinco taças.
Todos sabem que sou favorável ao sistema mata-mata e sei que estou na contramão da maioria.
Agora, amigos, entra o mas, o porém, o no entanto.
Abatido pela estatística, acordei com um péssimo presságio: viramos azarões também no mata-mata. Com o 1 a 0 de quarta-feira o Flamengo eliminou o Grêmio pela sétima vez em 24 anos em matas. Vejam a gravidade do fato: nem jogando sua melhor partida da temporada o Grêmio ganhou de um Flamengo em frangalhos.
Cometo aqui um exagero: viramos um Botafogo!
Não em grandeza clubística, longe disto.
Aqui, no sentido de que se Grêmio e Inter estivessem liderando o Brasileiro hoje seriam azarões, como é o representante do Rio.
Não engana o torcedor quem dá esperanças, como eu mesmo dei aqui a possibilidade de o Grêmio reverter os 2 a 0 diante do Flamengo no Maracanã.
Acontece que a lógica do futebol é que o futebol não tem lógica e, volta e meia, aparece um azarão, como Guarani e Botafogo, por exemplo, em tempos passados.
Aqui, a crudelíssima verdade verdadeira: viramos azarões!
Crudelíssima verdade: viramos azarões!
Abatido pela estatística, acordei com um péssimo presságio: viramos azarões também no mata-mata.
