O Rio Grande do Sul tem dois grandes clubes, Inter e Grêmio, que conquistaram juntos dez títulos nacionais, e aqui computo Copa do Brasil e Brasileiro (após 1971). Minas tem dois grandes, Cruzeiro e Atlético, com seis taças. São Paulo possui quatro grandes, São Paulo, Corinthians, Palmeiras e Santos, que levantaram 21 taças. Rio, com quatro, Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo, tem 16 conquistas. Média: gaúchos, cinco títulos; paulistas 5,25; cariocas, quatro e mineiros, três.
Inter e Grêmio possuem dois títulos de Libertadores cada. E um Mundial. Até a conquista da Libertadores pelo Santos, o Inter era o único clube brasileiro a faturar títulos internacionais nos últimos seis anos. Dos quatro últimos treinadores da Seleção, três foram gaúcho, inclusive o atual, e o último título de uma Copa veio com Felipão no comando. O último brasileiro a ganhar duas vezes o prêmio de melhor jogador/Fifa foi um gaúcho, Ronaldinho.
O ex-jogador Paulo César Caju assinou coluna para o Jornal da Tarde com o título "Quantos craques existem no futebol brasileiro?". Escreve: "Em 82, o Zico pegava a bola e tinha Falcão, Sócrates e Cerezo para ajudá-lo." Reserva a última linha para dar o seu diagnóstico para a falta de craques: "O que está matando nosso futebol é o culto à escola gaúcha que vem desde o título mundial de 2002. Precisamos voltar a apostar em volantes e meias que sabem jogar e em jogadores dribladores pelos lados do campo".
Vejam: a escola gaúcha, que deu o último título Mundial, está matando o futebol brasileiro. O parnasiano Armando Nogueira relutava em aceitar a conquista de 1994 porque fora comandada por Dunga. Há um Brasil que culpa os vencedores e referencia a derrota. A Seleção de 1982 encantou, mas a participação do Brasil naquela Copa recebeu o rótulo de a "Tragédia do Sarriá".
Não vou cometer aqui o pecado do coitadismo e achar que há um descaso pelo RS estar no rodapé do país, quase despencando do Brasil. O que me espanta é Caju, campeão Mundial pelo Grêmio, cometer o disparate de lembrar uma Seleção onde jogavam Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos e Cafu e que venceu todos os jogos como sendo a avalista da morte do futebol nacional, futebol que segue fabricando ótimos jogadores. Tão-somente vou lembrar de uma canção do eterno Lupicínio: "Eu não sei se o que trago no peito/ É ciúme, é despeito, amizade ou horror...".
