Deveria falar sobre a convocação de Daniel Alves.
Muitos consideram injustificável.
Esquecem do episódio das "ovelhinhas do Tite".
Certa feita o então presidente do Grêmio, Flávio Obino, foi flagrado dizendo Tite não tirava três jogadores da equipe por teimosia.
E rotulou Anderson Lima, Luis Mário e Rodrigo Fabri de "ovelhinhas do Tite".
Convocações são sempre polêmicas.
Felipão não levou Romário para a Copa de 2002.
Em 1978, Falcão ficou de fora por escolha do técnico Cláudio Coutinho, que optou por levar o volante Chicão, do São Paulo, de pouca técnica.
Meu assunto deveria ser Daniel Alves, mas é outro.
Dias atrás escrevi que há muitos Brasis neste Brasil.
O mais escandaloso é o Brasil dos nababos que passa o chapéu como quem mendiga na rua da Praia.
Estava falando dos clubes de futebol. Vejam: há clubes ostentando um faturando R$ 1 bilhão milhões por ano e chorando para pingar uma miséria no cofre do governo pelos impostos.
Paga-se salário superior a R$ 1 milhão para um jogador e se sonega a cota governamental.
O arremate veio ríspido: pagamos por um espetáculo terceiro-mundista.
Os jogadores da Série A estão na Europa, os da B espalhados pelo mundo. Aqui, joga-se a Série C.
Vejam: saiu a lista de Tite para a Copa do Mundo do Catar. São 26 jogadores.
Um, Daniel Alves, está inscrito no Pumas do México, seu time de faz de conta.
Vinte e dois (22) atuam no futebol europeu. Portanto, amigos, é na Europa que se vê o melhor do Brasil.
Qualquer dia destes vou escrever sobre o aviltamento que está sofrendo a palavra craque.
É craque para cá, craque para lá, como se o nosso futebol estivesse sendo invadido por Pelés e Garrinchas.
Fica para um outro dia.
