Hiltor Mombach

Das malas

Das malas

Cá entre nós, o futebol brasileiro padece de indigência se comparado à política quando o negócio é criatividade. O futebol sobrevive de duas malinhas, a preta e a branca. Estamos diante da filosofia dualística, do mais puro maniqueísmo: a mala-preta corrompedora, do mal, e a branca motivacional, do bem. As duas são sacanas, mas isso é outra história. A política abriu suas portas: aqui, toda mala é bem-vinda. Abaixo, o novíssimo dicionário das malas. Atualizado.
Mala-Maluf: o malão é depositado na Suíça. Com dólares.
Mala-Mensalão: ganha todo mundo, até jogador reserva.
Mala-Meia: o nome diz tudo, o dinheiro viaja nas meias.
Mala-Cueca: é a que mais fede.
Mala-Panetone: o dinheiro vai todo para os pobres.
Mala-Cebola: é pegar e chorar de vergonha.
Mala-Aposentado: o dinheiro não dá para nada.
Mala-Bebum: acaba sempre indo para o time errado.
Mala-Cheque: antes de aceitar, consulte o Serasa.
Mala-Promessa: reze, reze muito para ela chegar.
Mala-Brasília: tem para todo o mundo. E como tem!
Mala-João Alves: o dinheiro vem todo da loteria.
Mala-Sherlock Holmes: Pegar é elementar, meu caro Watson!
Mala-Agatha Christie: sempre sobra para o mordomo.
Mala-Shakespeare: pegar ou não pegar, eis a questão.
Mala-Descartes: penso, logo pego.
Mala-Sócrates: Só sei que nada sei, seu delegado.
Mala-171: cadê a minha parte, oh meu!
Mala-MSI: para ver o Timão campeão, não tem preço.
Mala-Correios: Você manda, a gente entrega.