Vai tempo escrevi uma coluna que levou o título “das teses”.
Começava assim.
“Toda tese, da mais obtusa à mais insana, viverá seu momento, mesmo que fugacíssimo, de confirmação e consagração. Estamos diante de uma verdade irretocável.
O insensato que duvidasse da genialidade de Pelé, colocando-o no rol dos jogadores medianos, diria, pelo menos uma vez:
“Viu, eu não disse!” Sim, até o rei teve dias de nada.”
Não sei quando formulei a tese da evolução do futebol africano. A tese não tinha base nenhuma.
Tratava-se mais um desejo.
Contra um futebol cada vez mais robotizado, diante da pasteurização, desejava um futebol que fosse a negação do ferrolho, uma ofensividade, pureza e ingenuidade que só os africanos mostravam. A magia dos africanos sempre me cativou. Há algo de primitivo na sua forma de jogar que me remete aos tempos das minhas peladas, enfrentando corajosamente as rosetas de pés descalços.”
A Copa da Rússia segue seu destino e minha certeza é de que não será agora que poderei proclamar.
“Viu, eu não disse!”
Gana, Senegal, Marrocos, Tunísia e Camarões.
A seleções africanas que estarão no Catar aparecem como figurantes. Os favoritos são quase sempre os mesmos: Brasil, Argentina, Alemanha, França...
Isto, porém, não me impede de desejar uma zebra.
Nesta segunda, por exemplo, teremos Senegal x Holanda.
Vou de Senegal.
Das teses
O insensato que duvidasse da genialidade de Pelé, colocando-o no rol dos jogadores medianos, diria, pelo menos uma vez: “Viu, eu não disse!”
