DE GAÚCHO PARA GAÚCHO. MUI EDUCADAMENTE
Carta fictícia de um gaúcho para outro gaúcho.
"Mas bah, tchê, que entrevero! Isto me faz lembrar João Simões Lopes Neto.
Sou gaúcho forte, campeando vivo
Livre das iras da ambição funesta;
Tenho por teto do meu rancho a palha,
Por leito o pala, ao dormir a sesta.
Monto a cavalo, na garupa a mala,
Facão na cinta, lá vou eu mui concho;
E nas carreiras, quem me faz mau jogo?
Quem, atrevido, me pisou no poncho?
E Jayme Caetano Braun
Valente galo de rinha,
guasca vestido de penas!
Quando arrastas as chilenas
No tambor de um rinhedeiro,
No teu ímpeto guerreiro
Vejo um gaúcho avançando
Ensangüentado, peleando,
No calor do entreveiro !
Mas não é disto que vou falar, vivente. Esta tua peleia e justa, como foi a do Brizola. Mas eu faria diferente. Diante do cochicho, e quem cochica o rabo espicha, perguntaria ao perguntador, mui educamente, qual seu veículo, o de comunicação, que é para ficar bem claro.
Diante da resposta, recomendaria, mui educadamente, não ser hora de tititis e fififis e o convidaria, mui educadamente, a retirar-se do recinto, pois minha atenção precisa estar atenta às armadilhas das perguntas e não sou homem de conceder privilégios. Fosse outro o motivo, diria alto, feito anúncio de quero-quero, os motivos do meu aborrecimento. Sempre mui educadamente.
Mas o que está feito está feito. A guerra está comprada. E tu sabes, vivente, que a guerra de um gaúcho é a guerra de todos gaúchos. Damos um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair dela.
Mui educadamente.
