Hiltor Mombach

De melancias

Avaliação do momento do Flamengo

Na carona dos títulos da Libertadores e Brasileiro, a Folha traz reportagem que leva a seguinte manchete:
“Domínio do Flamengo é o começo do fim do futebol brasileiro”. 
No título de apoio, diz: “Brasileiro mais desigual da história é fruto do crescente abismo nas cotas de TV”
Como exemplo do “começo do fim do futebol brasileiro” escreve: 
“Mas no pay-per-view, o Flamengo receberá R$ 120 milhões contra equipes que faturam R$ 6 milhões”.
Usa Chapecoense, CSA, Fortaleza, Ceará, Goiás e Avaí, que recebem R$ 6 milhões, numa comparação descabida. 
Pegará R$ 120 milhões contra R$ 110 milhões do Corinthians, R$ 94 milhões do Palmeiras e R$ 71 milhões do São Paulo. 
O Brasileiro de 2019 apresenta de forma inédita, um sistema de divisão das cotas na TV aberta extremamente equilibrado. 
No pay-per-view e que existe distorção, mas entre grandes e pequenos. Lembrando que 40% da grana foi dividida igualmente; 30% por classificação e 30% de acordo com o número de partidas exibidas.
Só o repasse de direitos federativos garantiu uma receita de R$ 295 milhões. 
Fábrica de jogadores tem prazo de validade.
Frase de importante dirigente do Grêmio: 
“A mídia é pródiga nisso, ovaciona o dia. 
Calma que as melancias de ajeitam”.
É possível que somando todos os faturamentos (bilheteria, venda de atletas, premiações, sócios...) o Flamengo bata no R$ 1 bilhão em 2020. 
Os indicativos são de que terá mais dois ou três anos de ouro. 
Depois? 
Bem, depois a fila andará. 
Não consigo ver nesta temporada do Fla o “começo do fim do futebol brasileiro”.
Em 2008, quando o São Paulo surgia como imbatível no país depois de faturar o terceiro título consecutivo do Brasileiro, o então superintendente de futebol do clube, Marco Aurélio Cunha, acreditava na supremacia tricolor por mais temporadas. 
A previsão, que ganhou muitos seguidores na época, acabou não se confirmando.