Hiltor Mombach

De noviços e principiantes

Tenho falado sobre dirigentes de futebol noviços.
É preciso dividi-los em categorias.
A generalização coloca todos num mesmo balaio e fatalmente leva à conclusão que todo noviço é um iniciante.
Trata-se de uma meia verdade e, portanto, de uma mentira completa.
Ser noviço no cargo é uma coisa; em futebol, outra.
O iniciante tem medo da própria sombra, esconde-se em respostas evasivas com a risível justificativa de que não pode abrir o jogo.
Se ele não entende do jogo, obviamente não pode abrir nada.
Até porque em boca fechada não entra mosca e o silêncio é o ouro dos embusteiros.
Todo iniciante tem a firme convicção de que irá descobrir a roda.
A roda do futebol, se é que me entendem.
Seu falso eruditismo cabe numa frase feita:
“Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todos”.
Luiz Fernando Costa, vice de futebol do Inter, é um noviço.
Jamais um principiante.
Conhece mais o riscado do que muitos cascudos.
Piffero acertou na escolha.
Se Costa acertará no treinador e nos reforços, são outros quinhentos.
Futebol não segue receita de bolo.
Sua ideia de hierarquia em futebol é simples, objetiva e corretíssima: treinador treina o time.
Parece óbvio, mas não é.
Há treinadores contratados para treinar os dirigentes.
O Inter de Costa não dependerá de consultas ao técnico para contratar.
Isto não impede que converse com o treinador.
Não sei se Luxemburgo caberia neste modelo.
Costa é daqueles que preferem errar por conta própria e não por seguir indicações alheias.
Só quem erra por conta própria sabe justificar seu erro.
Sua ideia de time é clara e ele vai buscar as peças que se encaixem nela.
Enfim, Costa é um noviço, jamais um principiante.