Hiltor Mombach

Decisões entre opostos

O futebol não segue um livro de regras de bolo.
Nenhuma tese é definitiva.
Nestas quase quatro décadas escrevinhando sobre o assunto, relatando fatos, analisando jogos, percebi que a verdade de hoje é a mentira de amanhã, e vice-versa e versa-vice.
Há um tempo de cair e outro de se reerguer.
E que camisa pesa.
Esta final de hoje entre Europa e América do Sul, Alemanha x Argentina, é uma prova mais do que provada do que eu estou dizendo.
De um lado temos a Alemanha, seleção avaliada em R$ 1,8 bilhão e que conta com 15 jogadores atuando no país, nove no poderoso Bayern de Munique.
O Campeonato Alemão está hoje entre os mais atraentes do planeta para quem gosta de bom futebol. As médias de ocupação de alguns estádios superam 99%.
A Bundesliga teve média de público de 43.496 na temporada passada e atualmente é o torneio foi o mais visto da Europa.
Do outro, a Argentina, seleção avaliada em R$ 1,3 bilhão, mas que sem a maior estrela, Messi, vale a metade do que a Alemanha.
Segundo a Pluri Consultoria, a média público do campeonato argentinos de 2013 foi de 17.548 pessoas, com uma média de 47% de ocupação dos estádios.
Agora, o dado que mais nos interessa: apenas dois dos jogadores convocados para jogar a Copa no Brasil atuam no país.
Dois contra 15 da Alemanha.
E do time que começou a Copa, apenas dois atuavam no mesmo clube, Mascherano e Messi.
Mesmo assim, a Argentina mostra entrosamento.
De um lado uma Seleção que joga num campeonato forte, rico e que pode manter seus craques em casa; do outro, uma Argentina que não consegue segurar seus melhores jogadores por não poder pagar salários compatíveis.
Uma Argentina que se dizia acabada e que ressurge como finalista nesta Copa, provando que tradição não se compra em farmácia.
Aliás, tradição sobra para os dois.
Neste domingo um será tetra ou tri.
Penta, só o Brasil.