Hiltor Mombach

"Dentre todas as teses sempre há uma lunática, conspiratória. É a minha"

"Dentre todas as teses sempre há uma lunática, conspiratória. É a minha"

"É raro o fato novo explicado por um único entendimento. Sempre surgem diversos entendimentos, afirmando-o ou negando-o, justificando-o ou condenando-o.

Dentre todas as teses sempre há uma lunática, conspiratória. É a minha.

Sempre avesso às explicações mais conformadas, tenho pensado a respeito do que está acontecendo em relação ao meu time do coração, o Internacional, mais especificamente quanto ao modelo de negócio a ser aplicado na reforma do estádio Beira-Rio, tendo em vista a Copa do Mundo, o conforto dos seus associados e o futuro do clube.

Aponho minha preocupação de torcedor no fato de que, geralmente, surgido um novo estádio, uma nova fase - vencedora - inicia-se para o clube proprietário. Foi assim com o Inter e o estádio dos Eucaliptos e o Beira-Rio, e com o Grêmio e o estádio Olímpico e a sua posterior ampliação.

Até a escolha do atual presidente e da sua direção, sofisticada pelo CEO Aod Cunha, tudo parecia definido para que o Internacional reformasse o estádio por conta e risco próprios (chamarei de modelo-raiz). Seria, muito provavelmente, o único, senão um dos poucos estádios da Copa do Mundo de 2014 cuja reforma ou construção não teria a participação de uma empreiteira, ou empresa especializada em construção de estádios de futebol e na sua administração. Tal definição foi informada aos sócios e torcedores ainda antes da eleição, que redundou na eleição do candidato da situação. Ademais, iniciou-se a reforma do estádio, hoje ainda incipiente, mas já em andamento.

Todavia, passados alguns meses da eleição, a nova direção, repiso, continuidade do grupo diretivo anterior, apresenta uma nova tese, contrária a dos seus antecessores e chancelada e estudada pelo especialista Aod Cunha, que, resumidamente, diz: é problemática, senão impossível, uma reforma do estádio com recursos próprios que não comprometa seriamente as finanças futuras da Instituição.

Tal entendimento segue a lógica do mercado, ou das políticas unanimemente assumidas em todo o Brasil para as reformas e construções dos estádios da Copa: financiamento público (especialmente esse) e privado para que as grandes empreiteiras construam as arenas do torneio e as administrem por (longo)prazo determinado (chamarei de modelo-mercado).

Posto assim, pareceria de fácil entendimento e convencimento que a direção anterior, da qual já fazia parte o atual presidente, equivocou-se quanto ao planejamento da reforma e agora muda de lado, não fosse um fato muito interessante e que merece a atenção do colorado associado (a minha, pelo menos): o modelo-raiz continua sendo defendido pelo ex-presidente da gestão anterior, que apoiou o atual presidente, o qual, apoiado no seu CEO contratado a peso de ouro, questiona (para não dizer afirma) o modelo-raiz e apresenta o modelo-mercado como a solução do problema. Não entendeu? É assim mesmo, um baita paradoxo.

Indene de dúvidas a capacidade e qualidade do CEO contratado pelo Internacional. E é isso que me traz mais preocupação, pois a nova posição por ele trazida põe em cheque não só a questão da reforma do Estádio, como também a toda a política e capacidade dos cartolas colorados dos últimos 4 anos, pelo menos. E os deslegitima.

Até a sua chegada, tudo estava muito conformado, um mar de rosas (mas toda rosa tem espinho) quanto à reforma: aperfeiçoaríamos o estádio na medida das necessidades da FIFA e ficaríamos com um estádio nosso, só nosso. A reforma seria tocada por uma empreiteira gaúcha e ficaria tudo em casa. Mas, o CEO colorado, profissional conhecedor e atuante nas esferas privadas e públicas do nosso Brasilzão, chega com o novo entendimento (que certamente em virtude da sua capacidade é que foi elaborado em tempo recorde) e novo modelo salvador e, o melhor, com a empreiteira engatilhada, pois não podemos perder tempo.

Indica a opinião pública e os seus formadores que prevalecerá esse entendimento preocupantemente paradoxal de que o modelo-raiz, apesar de proposto pela atual direção, não serve, mas que sim, serve o modelo-mercado trazido também pela atual direção, no qual, reformado o Estádio, localizado numa das áreas mais valorizadas e privilegiadas da cidade (e futuramente muito mais ainda), nos próximos 20 anos, grande parte da receita dele oriunda não será colorada.
Abraço a todos os cara-pálidas, colorados e gremistas.
Rodrigo Westphalen Leusin.
Sócio colorado n. 302.839
Matrícula 60177.00-4 / Advogado