Hiltor Mombach

Desabafo de um gremista

Dificuldades para chegar e sair da Arena no jogo Brasil x Paraguai

"Aos 6 anos de idade, por intermédio dos meus pais, adquiri o vício de frequentar os jogos do Grêmio. 
Época do velho e saudoso Estádio Olímpico.
Lá assisti a muitos títulos. Vivi frustrações. 
Com o passar dos anos, exigiu-se a modernização com a construção de uma nova casa. 
A Azenha não me parecia suficiente para abrigar e comportar um estádio padrão FIFA, tal como foi concebido o projeto Arena. 
Veio a nova casa, localizada em endereço carente de infraestrutura. 
Na inauguração eu estava lá. 
Por se tratar de um novo estádio, em um Bairro até então esquecido pelo Município, as dificuldades iniciais para acesso e saída já eram esperadas, até mesmo inicialmente justificáveis. Não faltavam, todavia, promessas de melhoria. 
Eis que se passaram quase 7 anos da inauguração e nada – praticamente nada – foi feito. 
Falta de iluminação, poucas vias de acesso, ruas alagadas, calçamento inexistente, lixo acumulado, etc. 
Um caos para chegar. Um caos para sair. 
Às imediações do estádio sequer o sinal de celular funciona. Mesmo sabedor de todos estes problemas, o Grêmio se atreveu a sediar a Copa América. 
Na última quinta-feira, quase 50 mil torcedores compareceram para assistir a Brasil x Paraguai. 
Como gremista, me senti absolutamente constrangido. De envergonhar ao mais fanático dos gremistas. 
Duas horas para chegar ao estádio. 
Mais duas horas para sair. 
Pedi um Uber do Praia de Belas às 18:30. 
O primeiro se negou a realizar a corrida. 
Depois entendi o porquê. 
Cheguei às 20:45. 
Para voltar para casa então: simplesmente não existiam táxis e veículos de aplicativos. 
Inacreditavelmente, o engarrafamento persistiu até a 1:30. Consegui pegar um Uber somente às 2:00 da manhã. 
E isso que não choveu. 
Infelizmente, esse cenário se repete há anos e não tem qualquer previsão de melhora. 
Torcedores de outros países, dos mais variados clubes, puderam “prestigiar” a via sacra enfrentada pelos gremistas a cada jogo. 
O jogo da seleção para mim foi a gota d’água. 
Até que a situação do entorno evolua, decidi, mesmo sendo um gremista fanático, não frequentar a Arena. 
Espero que não seja um adeus, mas sim um até logo. 
Falta de respeito tem limite e o meu já chegou ao fim."

Germano von Saltiél / Advogado