Hiltor Mombach

Desafios para 2017

 * Carlos Corrêa / interino 

Não há início de ano fácil na vida de um dirigente de futebol. Pode até ser mais ou menos complicado. Mas fácil, amigo, nunca. Nada indica que o ano que começa seja diferente. O que me leva a uma questão, relacionada sobre a nossa aldeia: quem tem a missão mais complicada para 2017? Romildo Bolzan Júnior ou Marcelo Medeiros? Assim, no embalo, é compreensível que se imagine que a tarefa de Medeiros é mais encrespada.

Não bastando o Inter iniciar o ano pela primeira vez na Segunda Divisão, o que sobrou em termos de time não cria lá muitas perspectivas. Por mais que, ao que tudo indica, o clube tenha acertado na escolha do técnico — o que parece óbvio, mas né, lembremos que a última vez que isto aconteceu foi no começo de 2015, com Diego Aguirre, e mesmo assim no susto —, o grupo de jogadores é, à exceção do goleiro Danilo Fernandes, médio. Isso com boa vontade do torcedor. No entanto, é justamente esse cenário de fundo do poço que talvez torne a missão de Medeiros menos pior.

Vejamos, o legado de Vitorio Piffero é tão, mas tão ruim, que basta o novo presidente não errar em excesso que já terá sido melhor. Salvo uma daquelas catástrofes inéditas, é muito pouco provável que o Inter não tenha sucesso na Série B e retorne à Série A. Veja bem, não estou aqui dizendo que o Inter terá vida fácil, mas sim comparando com a sucessão de erros que foram os últimos dois anos no clube. O Grêmio por sua vez tem um desafio no outro extremo. O clube acabou o ano em alta. Aliás, mais em alta impossível. Os dias entre 8 e 11 de dezembro foram, muito provavelmente, um daqueles pedidos que os torcedores gremistas fariam ao Gênio da Lâmpada se o encontrassem: na quarta-feira, campeões da Copa do Brasil; no domingo, o Inter rebaixado.

No entanto, mesmo o mais otimista dos tricolores sabe que combinações assim acontecem com uma frequência menor do que as passagens do cometa Halley pelas bandas da Terra. De resto, aquela máxima que afirma “mais difícil que chegar ao topo é se manter lá” não existe por acaso. Claro que em termos de elenco, o trabalho de Romildo e seus colegas é bem menos complicado. Com uma base bem encaminhada como Renato Portaluppi já tem, o que é preciso para o Grêmio é acertar em uma ou duas posições. E, claro, manter suas estrelas, o que promete ser mais difícil do que novas negociações.