Hiltor Mombach

Deu Renato. Como sempre

Está em debate a falta de uma filosofia do clube, da instituição

Depois de muitas negativas, o Grêmio contratou o lateral Rafinha. Foi dobrado pela insistência de Renato. Antes, a direção havia barrado Thiago Neves, que desembarcaria na Arena, onde fracassaria. Na queda de braço, o técnico vence todas.
Ingênuo, escrevi que ao escalar o CEO Carlos Amodeo como uma espécie de assessor interino do futebol, o presidente Romildo Bolzan Júnior pretendia colocar freios no treinador e impor a hierarquia. Amodeo vinha de um atrito com Renato. Amodeo não arriscaria perder um cargo bem remunerado. Na hierarquia do estrelato, Renato está muitos céus acima do dirigente.
Rafinha, 35 anos, é mais um da confraria de Renato a desembarcar. Outro veterano. Ganhava R$ 750 mil no Flamengo. Dizem que acertou por R$ 400 mil. Quero ver o contrato, pois sua pedida deixou os dirigentes flamenguistas, que pretendiam seu retorno, de cabelo em pé.
Arthur, Luan, Éverton, Pedro Rocha, Walace, Ramiro, Wendell, Alex Telles, Jaílson, Lincoln, Kaio, Pepê... O software alemão de gestão e análise Sap Hana ajudou a despejar dezenas de garotos que renderam R$ 500 milhões na gestão Romildo. Renato parece ter aposentado o software dando preferência aos amigos.
O salário de Rafinha não vai quebrar as finanças do Grêmio, azuis nos últimos cinco anos. Não se discute aqui a qualidade de Rafinha, ótimo jogador. Está em debate a falta de uma filosofia do clube, da instituição. 
Romildo pretendeu uma guinada ao renovar com Renato (5/3/2021). Disse ao treinador que a partir daquele momento ele, presidente, daria as cartas no futebol. Manteve-se firme ao negar a contratação de Rafinha. Sábado, cedeu.
Ouço que Romildo está sendo muito pressionado pelas redes sociais e por uma Oposição que atua via fakes. Por simpatizar com Bolsonaro, Renato teria recebido até ameaças. A Arena é hoje um caldeirão. Na ânsia de resultados imediatos, segue-se qualquer cartilha. A cartilha de Renato tinha prazo de validade, que venceu em 2018. Romildo sabe disto. 
Imagino que saiba até como sair desta arapuca em que ele foi se enfiando aos poucos. Sem ruptura e elegendo como vice de futebol alguém que conhece o riscado. Falo do retorno da dupla Preis/Odorico. Eleger como vice de futebol um bonifrate seria manter a cartilha pessoal de Renato, do insucesso nos últimos anos.