Hiltor Mombach

Devo, não nego e não pago

Devo, não nego e não pago.
Esta parece ser a filosofia dos grandes clubes brasileiros de futebol.
Dias atrás, a presidente Dilma Rousseff vetou artigo de uma medida provisória que permitia aos clubes refinanciarem suas dívidas com a União sem necessidade de uma contrapartida.
O projeto permitia o parcelamento das dívidas em até 240 vezes, com descontos de 70% em multas e 30% em juros, sem a exigência de responsabilidade financeira e de gestão por parte do devedor.
A estimativa do próprio governo é que as dívidas dos clubes com a União estejam na casa de R$ 3,7 bilhões.
Há cerca de 20 anos os clubes já deviam R$ 284 milhões (atualizado) para a Previdência Social.
A União deu ali sua primeira colher de chá: pagar com a arrecadação de 5% da receita de bilheteria. Ministro na época, Antônio Britto festejou:
“A Previdência vai torcer para que todos os jogos sejam um sucesso de público”.
O que se seguiu foi o descalabro.
Clubes grandes descontando Fundo de Garantia na folha de pagamento, mas não depositando o dinheiro em banco, impostos atrasados, o caos.
Veio o Refis como salvação.
Os clubes aceitaram o parcelamento, mas seguiram inadimplentes.
Veio o Timemania.
Não resolveu.É injustificável clubes que arrecadam R$ 300 milhões por ano não recolherem seus impostos, mesmo os históricos.
Como é incompreensível dão uma colher de chá, mas o tanque de chá que o governo federal dá a costumeiros inadimplentes.
Com folhas salariais batendo nos R$ 200 milhões/ano, gastando os tubos e mais um pouco, acumulando déficit de R$ 50 milhões/ano, os clubes jogam na lata de lixo o carnê de suas parcelas de impostos, pois sabem a quem recorrer para seguir pedalando a dívida: ao governo federal por meio da bancada da bola, esta alimentada por dinheiro da CBF e de algumas federações.
O que Dilma deveria fazer é cobrar a conta toda com juros.
Não pagou?
Que se use todas as medidas jurídicas para a cobrança.
As mesmas usadas para cobrar da sua empresa em atraso, por exemplo.
Ou as que encurralam o cidadão brasileiro.
Tenho dito.