Hiltor Mombach

Dinheiro não é tudo

Dos oito times que ainda estão disputando o título da Libertadores, três são da Argentina (San Lorenzo, Arsenal e Lanús), um do Brasil (Cruzeiro), um da Colômbia (Atlético Nacional), um do Paraguai (Nacional), um da Bolívia (Bolivar), um do Uruguai (Defensor).
Uma prova provada que dinheiro é importante no futebol, mas algumas vezes não é tudo. Profissionais da área de crédito do Itaú BBA, baseados em informações públicas, realizaram um levantamento em 2012 e diagnosticaram que “os clubes brasileiros, por estarem na maior economia da região, carregam uma capacidade de gerar receita que é inatingível por argentinos, chilenos e colombianos. Isto explica o recente domínio dos clubes brasileiros. Mais receitas, melhores jogadores, melhores elencos, maior capacidade de competição...”.
Ficaram pelo caminho em 2014 Grêmio, Botafogo, Atlético Mineiro, Atlético Paranaense e Flamengo.
Nos primeiros 28 anos de Libertadores, apenas quatro clubes brasileiros haviam conquistado a cobiçada taça: Santos (bi), Cruzeiro, Flamengo e Grêmio. Cinco títulos, 17% de aproveitamento.
De 1988 para cá, em 25 edições, o caneco ficou no Brasil em 12 oportunidades, 48%. O Brasil ganhou seis dos últimos 10 torneios e os últimos quatro.
É justamente a partir de 1988 que o Clube dos 13 passou a ter como única finalidade a negociação dos direitos de TV. As cotas, inicialmente tímidas, saltaram para valores altíssimos.
Nesta semana, o vice-presidente de futebol São Paulo, Ataíde Gil Guerreiro, um ex-executivo do Clube dos 13, revelou alguns valores: “Corinthians e Flamengo ganham R$ 170 milhões cada. O São Paulo. R$ 110 milhões. Palmeiras e Vasco, R$ 80 milhões...”
Segundo o Itaú BBA, o maiores clubes da Argentina recebiam menos 10 milhões de dólares/ano (R$ 22 milhões) da TV em 2012. Juntando, os times das duas divisões da Colômbia tiveram faturamento parecido com o do Corinthians em 2012.