Hiltor Mombach

Do ciclos, de Renato e da decisão

Renato ainda tem muito a dar pelo Grêmio. E só dará sob um comando forte e cobrador

Vai tempo escrevi a seguinte coluna.
“O Brasileiro por pontos corridos começou em 2003. Apenas dois clubes enfiaram títulos. O São Paulo tricampeão (2006, 2007 e 2008) e o Cruzeiro bi (2013 e 2014). 
Dos ditos 12 grandes não foram campeões Inter, Grêmio, Vasco, Galo e Botafogo. Neste período desabaram rebaixados Galo, Corinthians, Cruzeiro, Inter, Grêmio, Palmeiras, Botafogo e Vasco. Alguns, como Vasco e Botafogo, mais de uma vez. 
O Corinthians foi campeão do Brasileiro em 2005 com um timaço e rebaixado dois anos depois. Apenas dois anos depois do tri, o São Paulo encerrou o Brasileiro em 9º lugar, 16 pontos atrás do campeão Fluminense (71 contra 55). 
Rotulado de Campeão de Tudo (2006, da Libertadores e Mundial de Clubes; 2007, Recopa Sul-Americana; 2008, Copa Sul-Americana (de forma invicta); 2009, campeão da Copa Suruga Bank; 2010, bicampeão da Libertadores e em 2011, bicampeão da Recopa Sul-Americana) o Inter teve seu último grande momento em 2015 quando chegou até a semifinal da Libertadores. Depois, desceu a ladeira e agora voltou a ser protagonista.
Justifica-se o berro do torcedor, a cobrança na hora da crise. Isto obriga os dirigentes a procurar soluções. Diria que a cobrança é fundamental na vida dos clubes de futebol. 
Isto não exclui, porém, uma outra verdade: grandes clubes vivem de fases, de ciclos. Se na fase boa colhem taças, ótimo. Podem hibernar por algum tempo. Caso contrário vão afundando aos poucos. Botafogo e Vasco, por exemplo, estão a reboque vai tempo. 
A questão é: encerrou o ciclo do Grêmio? O ciclo deu uma Copa do Brasil, uma Libertadores e uma Recopa. Não é pouco. Outra pergunta: está começando um novo ciclo no Inter, que voltou a ser protagonista? O futebol não permite respostas conclusivas. Como diria o filósofo Rafael Bandeira dos Santos, ele é dinâmico. Ah, ia esquecendo. Não adianta procurar culpados aqui e ali. Eram, são e sempre serão os dirigentes.”
Lembro este texto para falar de Palmeiras e Grêmio, que neste domingo decidem a Copa do Brasil.
Está evidente que já na segunda-feira o clube tratará de formatar o grupo de jogadores para um novo ciclo.
Este terminou e teve sucesso. Novo ciclo com Renato no comando.
A alta cúpula gremista sempre teve a  convicção de que Renato deveria seguir no cargo e formar um no novo time.
A renovação confirmou isto. Renato conhece  base como poucos e a venda de  jogadores rendeu R$ 500 milhões na gestão Romildo.    
A questão aqui jamais foi o fim de um clico. Os títulos, a proteção de Romildo e o poder dado a Renato o colocaram numa zona de conforto. Com a Arena vazia, nem o berro da torcida há para pressionar. Renato ainda tem muito a dar pelo clube. Mas só dará sob um comando forte e cobrador