Hiltor Mombach

Do diagnóstico da Ernst & Young: "É muito dinheiro, gente!"

Trecho da transcrição do que disse um representante da Ernst & Young na reunião do Conselho Deliberativo do Inter  de 5 de setembro.
“Do ponto de vista de processos e adiantamentos, o clube movimentou, e pegamos o ano de 2016 como referência, única e exclusivamente, porque a gente queria analisar um período fechado de janeiro a dezembro, o clube movimentou do ponto de adiantamento, R$ 18 milhões.
É muito dinheiro, gente!
É muito dinheiro para ser feito pelo processo de adiantamento.
Fragilidade no processo de compras ao pagamento.
Também é outro ponto importante: foram R$ 46 milhões referentes a notas fiscais, sendo que 98% desse valor não passou pelo processo normal de compras.
E como é o processo normal de compras olhando o clube como uma empresa?
Eu tenho, a grosso modo, uma requisição, eu tenho um processo de cotação, e aí eu tenho a seleção da melhor oferta para o clube, quem presta o melhor serviço, quem tem o melhor preço. Às vezes eu prefiro pagar um pouco mais porque eu tenho um serviço de mais qualidade e aí eu tenho a seleção do vencedor.
Então, muitas vezes a gente percebe que esse fluxo não foi seguido, e 98% das vezes não foi registrada a requisição, a ordem de compra, foi feita a compra direta e tem uma nota fiscal comprovando aquela compra.
Mas eu não tenho processo.
Então, eu posso ter comprado errado, não fiz a melhor negociação, posso não ter feito a melhor negociação para o clube, não ter selecionado o melhor fornecedor, e aonde sai o dinheiro do clube? Contrato e compras.
Então, é um processo crítico, é um processo que tem que ser muito bem administrado, muito bem cuidado para que ele tenha robustez e passe segurança para as pessoas que estão fazendo procedimento de compra.
Muitas vezes o que observamos, muitas vezes dentro de uma empresa, por exemplo, o funcionário faz para não perder o emprego, mas ele não quer fazer aquilo, ele não quer fazer aquilo, ele sabe que ele não está gerando evidência suficiente para comprovar que ele não fez nada de errado, e ele tem que fazer para não perder o emprego...
... Vários serviços, vários pagamentos referentes a serviços de obras foram realizados por meio de adiantamento via caixa.
Então, de novo, estamos dando mais um exemplo: eu contratei um serviço de obra e paguei por meio de adiantamento, sem contratos, sem formalização, sem analisar a empresa. Geralmente, não fazemos isso, na prática, não fazemos.
E até quando vamos fazer uma obra em nossa casa, tentamos fazer um processo de cotação, comparar empresas, comparar prestadores de serviço, para tentar ter a melhor contratação.”