"Este é um trabalho feito pelos profissionais da Área de Crédito do Itaú BBA, baseado exclusivamente em informações públicas e sem que tivéssemos qualquer contato com os clubes para explorar eventuais dúvidas e aprofundar algumas questões.
O objetivo é meramente informativo e tentamos apresentar aos Torcedores a visão de uma equipe técnica e multi clubística sobre a condição financeira do Futebol Brasileiro e seus Clubes.
Vale ressaltar que apesar de alguns clubes apresentarem balanços bastante detalhados e esclarecedores, há uma enorme dificuldade em ter a mesma qualidade em todos os balanços, o que torna limitada nossa ação.
E mesmo para clubes que disponibilizam informações estruturadas, ainda restam dúvidas relevantes.
Por conta disso, podemos afirmar que o material reflete a realidade “pública” de cada clube, e nossas avaliações são feitas com base em hipóteses técnicas, apenas.
Por isso, quando falamos em “atrasos”, isto reflete uma avaliação técnica das movimentações contábeis, baseado nos dados disponíveis.
Trata-se de hipótese técnica e são suposições, apenas, e justificam o fechamento do fluxo de caixa do período.
Não temos também qualquer contato com Patrocinadores, Federações, Parceiros, de forma que nossas avaliações consideram informações publicadas pela Imprensa como única fonte externa aos Balanços, inclusive entrevistas e matérias feitas com Dirigentes."
GRÊMIO: um exemplo
O Grêmio é um exemplo de como um clube pode se organizar financeiramente e ter resultados esportivos.
Um dos primeiros clubes a ter a figura de um CEO que atuava com certa independência da influência política, o Grêmio iniciou o processo de reorganização das finanças em 2014, para a partir de 2015 operar com geração de caixa positiva.
Controle de custos, formação de elenco dentro das possibilidades, com muitos atletas da base ou “apostas” de baixo custo.
Uma boa gestão esportiva trabalha junto com a boa gestão financeira.
Dívidas equilibradas, investimentos feitos dentro das possibilidades, custos caminhando de acordo com as receitas recorrentes. Parte importante da cartilha seguida, o que abriu caminho para a chegada deste bom momento. Ainda há o desafio do imbróglio da dívida do estádio, que não fica claro qual será a forma de pagamento, mas aparentemente não tem envolvido caixa. Mas não é algo que no balanço parece pacificado.
Vendo à distância, o que fica é uma sensação de que apenas o Grêmio pode se auto-sabotar.
INTER: sinal de alerta
Está aceso o sinal de alerta no Beira Rio.
O que vimos em 2017 é a sequência de um processo de deterioração da condição econômico financeira do Internacional que parece estar longe de ser solucionada.
São 4 anos sem gerar caixa no conceito de recorrência, aumento constante dos custos diretos com o futebol, dos gastos gerais, mesmo num ano em que atuou na Série B – inegavelmente correlacionado com esta deterioração - o que levou a um aumento de dívidas. Há algo de errado no reino Colorado.
O esforço de solução será imenso, porque as dificuldades são do tamanho do clube, muito grandes. Corte de custos, investimentos, foco na redução de dívidas e soluções que equilibrem o fluxo de caixa.
Sem aceitar esta dura realidade ficará difícil reverter o quadro atua.
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https://www.itau.com.br/_arquivosestaticos/itauBBA/Analise_Clubes_Brasileiros_Futebol_Itau_BBA.pdf
