Hiltor Mombach

Dois fatos. O leitor que avalie

Dois fatos. O leitor que avalie.
Enquanto em Luque, na sede da Conmebol, no Paraguai, Grêmio e River faziam suas defesas dos seus pontos de vista na Unidade Disciplinar da instituição, os jornais da Argentina projetavam a final River x Boca inclusive com um guia da decisão.
Já estava definido quanto de público "visitante" para cada confronto.
A Conmebol já havia colocado em seu site as datas da final não com Boca x a decidir, mas como Boca x River.
Armou-se um circo para a Conmebol dizer aquilo que até os quero-queros de Barão sabiam.
Certamente o River já sabia o resultado da Unidade Disciplinar.
Sabia quando anteciparam o julgamento de sábado para sexta-feira.
Melhor: sabia desde o apito final de Grêmio 1 x 2 River.

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Da minha coluna de 12 de janeiro de 2001:
“Há os fatos e não cabe prever aqui o final.
Existe, sim, a obrigação de registrar o lado oficial e os bastidores que cercam o caso Ronaldinho.
O Grêmio é a parte oficial: há a convicção íntima, no Olímpico, de que Ronaldinho não terá passe livre. Eric Lovey, que o cartão com logotipo do PSV apresenta como ‘South America Supervisor’, teria a informação de que Ronaldinho recebe R$ 2,5 mil na carteira.
Também assim, no futuro do pretérito, o PSG teria a garantia de passe livre em fevereiro.”
O dia era 15 de janeiro de 2001.
O Correio do Povo amanheceu com a seguinte manchete:
“PSG já tem pronto o anúncio oficial.
Clube francês divulga oficialmente nesta semana contratação de Ronaldinho.
Grêmio apresentará proposta para renovação”.
Era mais um capítulo de uma história que se desdobrava desde que Eric Lovey, representante do PSG no Brasil, decretava em entrevista exclusiva ao Correio do Povo que o Grêmio teria direito a receber R$ 7,7 milhões por Ronaldinho.
No Grêmio, a tese era de que o PSG estava sequestrando o jogador.
O clube estudava um recurso para impedir a saída de seu craque por valor tão irrisório quando especulava-se que o atleta poderia render 80 milhões de dólares.
A direção analisava junto ao Clube dos 13 a possibilidade de solicitar ao então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o adiamento da vigência da nova Lei do Passe.
Como Eric Lovey sabia de todos detalhes, dos valores?
Ora, transitava bem em Zurique, sede da Fifa.
Escreveu num bilhete detalhadamente os valores que o Grêmio receberia.
Acertou todos.