Hiltor Mombach

Dom Juan Portaluppi chega em Barcelona

Conheço Antônio Carlos Verardi há décadas.
Tivesse que colocá-lo num rótulo diria tratar-se da eminência parda do Grêmio.
É o funcionário mais antigo ainda na ativa.
São mais de cinco décadas no clube como superintendente de futebol.
Verardi é mais cardeal do que muitos cardeais do Grêmio mesmo sem integrar o sacro colégio gremista.
Poucos como ele incorporaram a filosofia de uma agremiação hermética que cabe bem numa expressão cunhada por Rudi Armin Petry, um dos maiores dirigentes da história do clube, aquela que diz que informações do clube à imprensa são "assuntos de economia interna".
Estava mais do que na hora do amigo Verardi escrever parte das duas memórias, pois todas não cabem num livro.
Seria necessário uma enciclopédia.
Com muita honra revelo aqui um trecho do livro "Seu Verardi e o Grêmio: Uma História de Amor", da editora Buqui.
A obra, de 288 páginas, produzida com o auxílio das jornalistas Carolina Rocha e Denise Waskow, da Palavra Bordada, é um presente que ele dá aos amigos, familiares e torcedores para celebrar seus 84 anos.
Um texto emocionado que só poderia ter sido escrito com a força e a verdade de quem ama o Grêmio.
O livro será apresentado ao público em sessão de autógrafos marcada para dia 6 de junho, a partir das 17h30min, no saguão do Porta A, da Arena, no matchday de Grêmio e Palmeiras.
Em 1981, o Grêmio fazia uma excursão pela Europa e precisou chamar às pressas o juvenil Renato para completar a delegação.
Trecho do livro.
"A convocação do Baltazar e do Paulo Isidoro, de fato, nos desfalcou.
E eu perguntei para o seu Ênio:
– Nós vamos ficar muito desfalcados, temos de mandar chamar alguém?
– Vamos trazer aquele gringo lá dos juniores, que vocês falam tanto.
– O Renato? Mas nós estamos aqui em Barcelona, como é que vamos mandar vir de Porto Alegre um guri de Bento Gonçalves sozinho? Está maluco?
– Mas ele vai receber instruções. Manda ele pegar um avião da Varig que os caras trazem ele.
No dia marcado para a chegada do Renato, fui para o aeroporto de Barcelona e não tinha ainda o finger para descer do avião. Dava para enxergar todo o pátio do desembarque. Localizei o avião da Varig e vi que descia passageiro, descia passageiro, e nada do Renato.
Pensei: – Meu Deus, em que parte do mundo vou achar esse guri… Parecia que já tinha desembarcado todo mundo e, daí a pouco, na porta do avião, estava o Renato conversando com uma aeromoça. E desceu bem devagarinho, com aquele gingado típico dele para caminhar.
Quando eu o encontrei, desabafei:
– Eu quase morri de susto!
– Por que, seu Verardi?
– Eu pensei que tu não tinhas vindo.
– Não, as moças ficaram lá, queriam falar comigo, e eu fiquei.
Essa foi a minha primeira participação com o Renato."