Hiltor Mombach

Domingo de GRENAL. Sem hífen

A o sugerir torcida mista no GreNal (assim, sem hífen separando) deste domingo no Beira-Rio o vice de administração do Inter, o jovem Alexandre Limeira, foi na contramão de tudo o que vinha sendo feito.
Mas era isto que a sociedade gaúcha queria: ir na contramão daquilo que vinha sendo feito.
Uma frase curta do prefeito José Fortunati disse tudo:
“Não podemos nos entregar àqueles que gostam de tumultuar.”
Não estávamos nos entregando: já havíamos entregue a Arena e o Beira-Rio aos vândalos em dias de clássico.
Como no poema “No caminho com Maiakóvski”, os marginais haviam arrancado a voz da garganta dos torcedores de futebol, transformando os estádios em reduto de vandalismo.
Quando escrevo havíamos entregue a Arena e o Beira-Rio aos vândalos há uma sugestão de mea-culpa, de culpa dos que silenciaram.
Não é bem assim.
Nossos estádios viraram teatro para marginais patrocinados por alguns dirigentes interessados em tirar algum tipo de proveito político, ou seja, em proveito pessoal.
Passagens pagas de avião com direito a hotel, ingressos para revender, sala cedida em estádio para comércio sabe-se lá de que produtos, dinheiro para amedrontar possíveis rivais políticos..
Isto e mais um pouco, o financiamento de marginais, formou um caldo que tirou as famílias dos estádios em grandes jogos como o deste domingo.
Até então, as medidas paliativas indicavam que em breve teríamos torcida única nos estádios em dia de GreNal (assim, junto).
Neste domingo, a história começa a ser reescrita, agora na contramão de tudo o que vinha sendo feito.
Teremos mil colorados ao lado de mil gremistas, que começarão a caminhada pelo “Caminho do Gol”, que também poderia ser o “Caminho da Paz”.
Hoje, colorados e gremistas do bem se protegerão, arrancando a voz dos marginais.



No Caminho, com Maiakóvski é um poema do brasileiro Eduardo Alves da Costa.



“Na primeira noite eles se aproximam


e roubam uma flor


do nosso jardim.


E não dizemos nada.


Na segunda noite, já não se escondem:


pisam as flores,


matam nosso cão,e não dizemos nada.


Até que um dia,o mais frágil deles


entra sozinho em nossa casa,


rouba-nos a luz, e,conhecendo nosso medo,


arranca-nos a voz da garganta.


E já não podemos dizer nada.”