Hiltor Mombach

Dos Brasis

Há muitos Brasis neste Brasil. O mais escandaloso é o Brasil dos nababos que passa o chapéu como quem mendiga na rua da Praia. Estou falando dos clubes de futebol. No meu Brasil, no seu Brasil, no Brasil dos mortais, dívida com o governo se paga ou se paga. Já o Brasil da grã-finagem é outro Brasil.
O governo criou dois programas para recuperar os R$ 3,8 bilhões devidos pelos clubes (INSS, Receita Federal FGTS) e nem Refis nem Timemania, que pedalou a dívida em intermináveis 20 anos, com a torcida ajudando a pagar, emplacaram.
Há clubes ostentando um faturando R$ 200 milhões por ano e chorando para pingar uma miséria no cofre do governo. Paga-se R$ 500 mil por mês de salário para um jogador e se sonega a cota governamental. Paga-se prazerosamente comissões milionárias a empresários e se resmunga na hora de recolher impostos.
Carrasco com os simples mortais, o governo é uma generosa mãe brasileira para com os clubes. Compadecido com o filho grã-fino o governo pode agora ajudar na regulamentação dos jogos pela internet para ajudar os clubes e salvar um dinheiro que é seu e que deveria cobrar judicialmente fosse o caso.
Mas, e há sempre um mas em tudo, os clubes de futebol são os filhos queridos desta nação. É um outro Brasil habitando o Brasil. E, certamente, o Brasil dos clubes de futebol não é o meu e seu Brasil.