Hiltor Mombach

Dos sigilos

Não há semana sem que o Brasil seja vítima de uma denúncia contra um político. Toda vez que isto acontece, e como acontece, eu canto a pedra: vamos ter autorização para quebra dos sigilos telefônico e bancário. Acerto sempre. Sem exagerar, diria que nunca neste país tantos autorizaram quebrar seus sigilos. Minha tese, um tanto óbvia, é de que só os lambaris caem na rede da Justiça. Os peixes graúdos escapam.
Corrupto profissional não deixa rastro. Só os amadores são fisgados. Profissional recebe dinheiro em mãos e em garagem sem câmara. De preferência, manda desligar o disjuntor. Nem os mais angelicais acreditam que um profissional do colarinho branco aceite receber em cheque ou dar o número da sua conta bancária para que depositem ali o lucro subtraído do povo.
Só os amadores gostam de contar vantagem, de espalhafato: pegam o surrupiado em local público, de preferência um restaurante lotado, sob a mira de uma câmara, telefonam para a mulher dizendo que a viagem para a Europa está garantida e, com a amante ao lado, mandam o garçom espocar um Moët & Chandon. Profissional deixa a conta bancária zerada ou no negativo que é para todos saberem da vida franciscana que leva um barnabé. Estamos falando da conta brasileira. A do exterior está sempre gorducha.