A semana foi marcada pela polêmica que tomou conta das redes sociais. Assunto: o alagamento no entorno da Arena no dia do jogo entre Grêmio e Cruzeiro. Gremistas ilustres cobraram providências. O prefeito Nelson Marchezan Júnior entrou no debate.
Lembrei de um telefonema que recebi vai muito tempo de Hélio Dourado. Pedia que eu fosse até o Olímpico. Queria me mostrar algo. Levou-me até uma sala onde guardava o esboço de como ficaria o estádio com uma reforma. Lutou pela reforma com todas as suas forças. Foi vencido pela turma que queria a Arena.
Esta questão do entorno é antiga. Tratava do assunto na minha coluna antes da inauguração da Arena. Tanto que em janeiro de 2012 recebi o e-mail que segue.
“Caro Hiltor, saúde! Li publicação na tua coluna sobre o entorno da Arena do Grêmio e a falta de recursos para melhoria de acessos e obras complementares. A cobrança vai ao “poder público”. Concordo que cabe a cobrança ao poder público, mas essa. O governo estadual entregou aquela área de graça, avaliada em R$ 38 milhões, e recebeu em troca área gravada na Estrada Costa Gama no valor de R$ 3 milhões.
O Estado, apesar da lei aprovada condicionar compensações, abriu mão de qualquer compensação avaliando que os ganhos futuros serão bons para o erário. Portanto, um grande negócio para a OAS. Ao governo municipal cabia exigir diante do tamanho do investimento todas essas providências e, tudo indica, não o fez. Para benefício, de novo, da OAS. Agora, se quer que o poder público pague a conta?
Nenhuma obra desse porte, nenhum loteamento, pode ser aprovado sem que o investidor assuma os custos das consequências do investimento para o entorno. Por exemplo: o Shopping Praia de Belas (duplicação da Avenida Praia de Belas), o Carrefour Passo da Areia (Avenida Grécia e obras pluviais), o Barra Shopping Sul (Avenida Diário de Notícias, moradias populares e outras obras), entre tantos outros.
Portanto, de poder público, o que falta, nesse caso, é o poder de regulação, de controle, de exigências de urbanização e obras complementares em empreendimentos deste tipo. Saudações, Raul Pont.”
Lembro de outro e-mail: “Caro amigo Hiltor. Importante posição das tuas colunas sobre a Arena. Encaminho este registro apenas para fazer um resgate histórico e justiça. A contestação do ‘negócio’ Arena teve início em 2009, quando o Dr. Helio Dourado conseguiu uma cópia do contrato ‘secreto’ do Grêmio com a OAS e repassou a mim para fazer uma análise crítica.
Desde aquela época, eu e o Dr Helio temos sido desqualificados, ridicularizados, humilhados e sempre criticados por pregar o apocalipse que jamais ocorreria, pois o negócio era perfeito. Com apenas dois meses de convivência e de execução do contrato, não somente tudo aquilo que foi dito e escrito vem se confirmar, como está se dando com maior velocidade e maior poder destrutivo. Abraços, Gladimir Chiele.”
