E AGIORA JOSÉ?
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A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
Relembrando apenas o início do inolvidável poema de Carlos Drummond de Andrade (recomendo a leitura completa) percebo que a festa não acabou, mas fomos eliminados dessa.
Temos que nos preparar para a Copa 2014, de forma bem distinta: o Brasil – como time – já está classificado por sede o país-sede, não precisando passar pela eliminatórias. Temos que nos organizar para receber a Copa, agora com a moral baixa, e percebendo que estamos atrasados. Aliás, muito atrasados.
Diversamente do que estão fazendo outros paises para sediar a Copa 2018 ou a 2022, até com suspeitas de suborno, o Brasil ganhou o direito por uma manobra bem sucedida dos atuais dirigentes da Copa para manter o seu poder.
Talvez por isso, não vinha se empenhando em se preparar adequadamente. O Governo Federal fez pior. Logo após a escolha, definiu como diretriz que não haveria recursos federais para os estádios e, com isso, se eximiu da responsabilidade de conduzir o programa de estabelecimentos dos estádios e respectivas cidades, pra sediar os jogos.
Fez exatamente o contrário da expectativa da FIFA. Essa esperava que o Poder Central assumisse a responsabilidade de equacionar os recursos para implantar o conjunto de arenas, segundo as suas exigências, como o fez a África do Sul e outros Estados que sediar rodadas anteriores da Copa do Mundo.
Deixou a cargo dos Governos Estaduais e Municipais, acenando apenas com uma linha de financiamento do BNDES, com condições favoráveis de juros, encargos e prazos, mas sem abrir mão da avaliação da viabilidade econômica.
O fato é que, agora, se o BNDES for rigoroso na análise das solicitações de financiamento, poucos chegarão ao final.
O Governo Federal que representa – na instância final – o pais, diante da FIFA se verá – nos próximos meses – diante de uma realidade de não ter nem oito estádios assegurados do ponto de vista da viabilidade econômico-financeira.
Eventualmente terá que quebrar o princípio definido e ingressar com recursos públicos federais.
Na segunda quinzena de julho, efetivamente terminada a Copa 2010, o Governo Federal poderá se ver diante de um grande dilema: manter o princípio de não colocar recursos público nos estádios, com o risco de não cumprir as exigências da FIFA que passará a ameaçar – ainda que veladamente – por um Plano B, ou ter que assumir, efetivamente, o comando do processo, com o aporte de recursos públicos.
O prestígio e a confiança no Brasil terá caido ou estará em queda.
O problema do Brasil, para sediar a Copa 2014, não irá se resumir na “novela Morumbi”, mas é muito mais amplo.
Se o Brasil tivesse conquistado a Copa 2010, o Governo Federal teria – provavelmente – maior apoio popular para mudar de posição e alocar recursos públicos para garantir o “hepta”.
Com o fracaso da seleção de Dunga, haverá uma contestação maior e o aumento daqueles que indagarão: “vale a pena fazer a Copa no Brasil?”
