Hiltor Mombach

E viva a Costa Rica!

Copa linda de se ver, cheia destas surpresas que encantam aqueles que torcem pelo inusitado, sabendo que o inesperado está sempre à espreita, espiando, pois futebol não tem lógica, não segue receita de bolo e é, antes de tudo, uma caixinha de sobressaltos.
Foi espantoso ver o futebol tiki-taka da Espanha transformado em tico-tico.
Como foi espantoso ver os Ticos abaterem o bicampeão mundial Uruguai com um justíssimo 3 a 1 na estreia.
Perplexos, os que acham que o futebol é regido pela hierarquia, reabilitaram o surrado clichê do cavalo paraguaio: Costa Rica, os Ticos, não sobreviveria num grupo com Uruguai, Itália e Inglaterra.
A vitória sobre o Uruguai era apenas uma destas zebras que costumam desfilar em grandes eventos.
Minha coluna de segunda-feira levou este título: “Zebra linda de se ver.”
Trecho: “Aqueles que seguem a lógica do futebol continuam mandando apostar em vagas para Itália e Inglaterra, com o Uruguai correndo por fora.
Mas eu insisto em dizer que o futebol não tem lógica e, por isso, é tão lindo.”
E escrevi mais: “A zebra fica por conta da tradição futebolística dos dois países, porque a Costa Rica brincou de jogar contra o Uruguai. Aplicou justíssimos 3 a 1.”
Pois ontem, Costa Rica precisou de um tiro só para transformar dois protagonistas do grupo D em coadjuvantes: ao aplicar 1 a 0 na tetracampeã mundial Itália, por tabela eliminou a campeã mundial, a Inglaterra.
Pobre Inglaterra!
Uruguai, Itália e Inglaterra somam, juntos, sete mundiais.
Costa Rica, que desembarcou no Brasil via Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe, está passando apenas pela segunda vez para as oitavas.
Com um futebol contagiante, os Ticos reduziram a pó o abismo hierárquico.
Estavam certos os que disseram que o grupo D era o grupo da morte. Uruguai, Itália e Inglaterra que o digam.
E viva a Costa Rica!