Hiltor Mombach

E viva os medalhões

No momento em que escrevo, Santos, São Paulo e Atlético Paranaense procuram treinador.
O Vasco está por entrar nesta lista.
E há uma outra lista, a de treinadores esperando convite.
Entre eles, Muricy Ramalho e Luxemburgo, donos de nove títulos do Brasileirão.
Também estão desempregados, entre outros, Joel Santana, Emerson Leão, Celso Roth e Dorival Júnior.
Treinador medalhão não fica desempregado no Brasil.
Seja medalhão de ouro, prata, bronze ou lata.
Medalhão carrega a fama de botar ordem na casa onde chegar.
Ou seja, a fama de domador de jogador.
Segundo a Associação dos Treinadores Medalhões, a ATM, é proibido inovar taticamente.
Todos são iguais perante a mesmice.
Medalhão não fica desempregado, faz rodízio.
Numa temporada não conquista nada aqui, na outra, nada ali e, na terceira, nada acolá.
De galho em galho, vai forrando a guaiaca.
Treinador medalhão blinda: os fracassos são debitados na sua conta, livrando os dirigentes.
Para encerrar, uma declaração que você dificilmente ouvirá.
“Estamos contratando o treinador Fulano de Tal.
É uma surpresa para o torcedor, eu sei, pois ele está começando uma carreira e vem de um time modesto, do interior.
Há tempos estamos monitorando o seu trabalho, que é simplesmente inovador taticamente.
Trata-se de uma aposta.
Melhor apostar numa aposta nova à errar com uma velha, como temos feito nos últimos anos”.