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Ao final da estrepitosa goleada no Gre-Nal dominical o repórter perguntou para o técnico Enderson Moreira quais eram as causas e quais seriam as consequências de um fiasco que ele, repórter, qualificou como “pouco comum”.
Feito forasteiro, Enderson saiu-se com esta: “Na verdade eu estou acostumado com isto no futebol, isto não é uma coisa pouco comum, acontece em decisões, já aconteceu da minha equipe ganhar por um placar elástico na final, já aconteceu de perder...”
A frase espanta porque o mineiro Enderson não é um forasteiro: ele já trabalhou no Internacional. Conhece a aldeia, portanto. Só posso atribuir discurso tão patético ao atordoamento. É como se tivesse levado uma bordoada de Mike Tyson nos tempos áureos do boxeador e, instado a falar, escancarou sua groguice.
Se por “minha equipe” o jovem e promissor treinador referiu-se ao seu ex-clube, o Goiás, cometeu o ato infame de comparar o incomparável. Chumbada no coração dos gaúchos, a rivalidade Gre-Nal sobrepuja a dos outros três estados (RJ, SP e MG) levantadores de canecos.
Enquanto o Goiás jejua quando o assunto é taça no armário, Internacional e Grêmio somam, juntos, cinco Brasileiros, cinco Copas do Brasil, quatro Libertadores e dois Mundiais. Só o Inter faturou sete títulos internacionais desde 2006.
Golear em Gre-Nal surge tão incomum que a cada celebração colorada no Centenário o competente plantão esportivo da Rádio Guaíba, Rogério Böhlke, revirava seus arquivos, retrocedendo no tempo. Quando estava 4 a 0, Böhlke estacionou em páginas já desbotadas, no longínquo ano de 1954: havia 60 anos que o Inter não vencia por quatro gols de diferença. O último 4 a 1 aconteceu em 2008.
Ainda peguei o tempo em que Gre-Nal com goleada terminava não terminando. Pelo menos para os repórteres, que viam sua jornada de trabalho estendida. Muitas vezes varavam a madrugada com a convicção mais absoluta de que treinador cairia e, com ele, toda a comissão técnica.